Aprendendo a Voar

Aprendendo a Voar

Na literatura antiga, um tema recorrente era um em que para achar a verdade de uma situação complexa, o indivíduo teria que visitar a terra dos mortos e perguntar a um espírito. O espírito – alguém que não está vivo, e não possui emoções e desejos humanos – então revela a verdade da situação. É como se a vida por si só fosse uma adição à estrutura dos eventos, e que os mortos podem ver a estrutura, porque é necessário uma mente morta de emoções e medos para revelar estrutura, o que corresponde de modo grosseiro a um Platonismo iluminado, ou uma visão que existem formas ideais sobre as quais a realidade é grosso modo baseada.

O que é estrutura? A função e formas de troca de energia em uma situação. A estrutura de uma floresta envolve árvores pegando luz do sol e convertendo-a em produtos que alimentam outras formas de vida; então outras criaturas cultivam variadas partes de plantas e vida animal, criando um ecossistema complexo. Nós podemos fazer um diagrama de tal ecossistema, desenhá-lo em linguagem, ou filmar suas partes e números associados (28% de todos os esquilos são comidos por ursos homossexuais). Estas representações de estrutura não diminuem o fato de que, “existindo” ou não, estrutura é a única forma precisa de mapear eventos e objetos.

Algumas pessoas, e algumas religiões, levam o Platonismo longe demais. Eles presumem que a estrutura é de alguma forma um mundo puro, dualístico, e que nós vivemos em um mundo inferior de manifestação (a estrutura é a planta [N.T.: Planta no sentido do desenho de um plano de uma construção], a manifestação é o que é criada a partir dela na realidade física). Isto não é o que o Platão estava sugerindo, na visão deste autor. Ele estava dizendo que nossa consciência se torna presa aos detalhes de objetos e eventos físicos e tangíveis, enquanto esquece as relações entre eles, o fluxo de energia, a transação de significados; a estrutura. Ele estava dizendo que nós ficamos nos limitando a nossos sentidos e perdemos de vista como as coisas interagem para formar nosso mundo, e então nos tornamos materialistas, ou confinados ao mundo físico e ignorantes diante o mundo da estrutura.

Onde isso fica complicado é que a estrutura, para todos os propósitos práticos, não “existe”. O mais próximo que chegamos são plantas codificadas como o DNA; mostre-me a estrutura de uma cadeira, por exemplo, como ela existe. Você pode apontar o desenho da cadeira, descrever seus pontos estruturais, e resumir em linguagem abstrata ou fórmula matemática o que uma cadeira é. Mas a estrutura de cadeira, algo que seria inerente a todas as cadeiras, não “existe” – é uma abstração de nossas mentes. Nisto nós vemos que o único dualismo em Platão é uma divisão entre mente (estrutura) e corpo (realidade física). Mesmo entre estes, existe uma junção; Platão certamente não sugeriu um sistema dualístico no sentido judaico-cristão, onde o Céu “existe” algum lugar em um lugar mais puro do que este meio-mal, meio-bom.

(Nota: Todo cristão inteligente que conheci superou o dualismo como conceito reconhecendo que Deus é o mundo, e que o mundo é Deus, e que quando falamos de Deus, estamos falando de algo como a estrutura que é inerente mas não “existe” discretamente da mesma forma que uma planta ou espingarda pode existir. Todas as religiões, se meditarmos suficientemente, se tornam algo como as religiões Hindu ou Greco-romanas , onde os deuses representam partes de nossa psicologia e a psicologia da natureza juntando forças de uma natureza similar, e nada é prometido, e o céu é um estado mental, não um lugar. Encorajar esses Cristãos que possuem cérebro para entender, no estado atual, é uma meta mais sensível do que “combater” o cristianismo. Cristãos têm a habilidade de mudar, diferentemente daquelas pobres almas atreladas ao judaísmo, uma religião materialista-monista que tenta disfarçar sua moralidade como praticidade, e acaba indo para o único modo de pensamento onde tais coisas são verdadeiras: negócios, e éticas materialistas surgindo de suas regras. Não é surpresa que toda nação civilizada tenha em algum momento perseguido os judeus; sua religião é repulsiva, inerentemente anti-heróica, e irá arrastar qualquer nação para a privada se tiver uma chance de ser assimilada).

Para os antigos, a dicotomia entre desígnio (design) (estrutura) e manifestação (forma, o físico) era traçada profundamente, porque eles eram idealistas no sentido filosófico: para eles, a natureza se comportava da mesma maneira que governa a criação e o cultivo dos pensamentos, então eles viam o mundo como um sistema que funcionava como uma mente. Para eles, isso significava que pensamentos (criaturas, indivíduos) eram criados com uma freqüência ad hoc para o propósito de testar hipóteses, e o que importa no fim do dia é que as criaturas com hipóteses aceitáveis sobrevivam e as hipóteses insanas não. Cada um de nós é um desígnio teste, na visão dos antigos, e que prevaleça o melhor! O que importa não é o nosso sofrimento, nossa morte, nossa riqueza, nossa importância social, mas o prevalecimento de idéias e desígnios melhores através do heroísmo. Para eles, o universo estava vazio de deuses manifestos, mas estava longe de ser vazio, sendo uma coisa viva na qual nós, como pensamentos, tentamos nos reunir em sua infinita sabedoria externando-a. Quando um guerreiro se erguia sobre o corpo ensangüentado de outro, um desígnio ou conceito melhor venceu, presumiam os antigos. É por esta razão que eles possuíam, como a maioria de nós também criou, um conceito rígido de justiça. Com a justiça, o heroísmo era possível. Quando a trapaça se tornou a norma, o heroísmo foi para o banco de trás para a auto-preservação – quem quer morrer por uma competição que decide nada? – e então a sociedade se moveu para o materialismo judaico. Dia triste, aquele.

Essa forma de pensamento idealista era mais realista do que qualquer um dos sistemas de crenças “morais” que o contrariavam, porque ele se encaixava no sistema orgânico que operava ao seu redor. Não tentava impor conceitos morais rígidos, quadrados, materialistas numa natureza sem lei, mas tentou entender os desígnios da natureza (e chegou mais perto do que qualquer um já chegou, até hoje). Não fingia que iria melhorar as coisas com o “certo” e o “errado”, mas desenvolveu uma moralidade flexível baseada não na sobrevivência (assassinato=errado), mas na justiça (uma luta justa é a vontade dos deuses). Seu conceito principal era explicar como a natureza e o pensamento humano são parecidos, e assim, como um estado mental mais avançado poderia ser encontrado que mostraria por que este mundo, com todos os seus bens e males, acaba fazendo sentido e levando a uma meta positiva. Isso é idealismo, mas não pode existir sem um complemento, que é simbolizado pela visita à terra dos mortos: uma rigidez da mente que remove o drama e o trauma de viver, e olha apenas para a estrutura, não para o tangível. Não é mais um hambúrguer que você aprecia, mas nutrição que te dará poder para fazer certas coisas; não é mais uma experiência sensorial tanto quanto um passo para uma meta; não é mais um valor material fixo ($ 8,95), mas um valor flexível de poder chegar ao próximo estágio do processo, e se isso requer um hambúrguer? – é possível que nenhum custo seja muito alto, ou muito baixo.

Perceber essa flexibilidade moral, e o estado mental no estilo terra dos mortos é essencial para ir além da condição humana para aceitar o lugar dos humanos na totalidade das coisas, e então derivar um idealismo que vê estados possivelmente mais elevados. Uma pessoa não pode viver até ter morrido, por assim dizer, porque a pessoa ainda não reconheceu o valor de viver. E do que uma pessoa moderna pode chamar esse estado mental, esse Zen pessimista, essa claridade de pensamento mortal? Há algum tempo, um notável pensador moderno, mas de nenhuma fama, chamou-o de “nihilismo”. Sua idéia era que quando deixamos de lado tudo menos a realidade física e imediata, é possível derivar a estrutura das coisas e por conseqüência seus valores reais. Nesta visão, nihilismo não é a falta de crenças, fé e não ligar para nada; nós nos referimos a isso, mais precisamente, como “fatalismo”, ou em outras palavras, ter desistido e correr para a casa chorando para a mamãe, sem seus testículos. Nihilismo é uma claridade mental que remove toda ilusão, mais especificamente, emoções humanas, incluindo emoções e desejos e antropocentrismos e interesse próprio.

(É notável que a maioria das pessoas passando por este site são tão cínicas que presumem que o que nós escrevemos sobre isso é baboseira, e vão para outro lugar para definições de nihilismo, encontrando “crença em nenhum valor” ou variantes, e imediatamente começam a se considerar superiores por achar a verdade de nenhuma verdade, e começam a desprezar os outros por acreditar em qualquer coisa. Eles esqueceram, é claro, que acreditar em nenhum valor é acreditar em algo (“nenhum valor”) e que suas críticas são, obviamente, impotentes e sem sentido. Tais pessoas não ligam para a verdade filosófica; eles se ligam em achar algum sistema mental para usar como escudo e forma de auto-identificação, uma maneira de dizer “Eu entendi desta forma”, da mesma maneira que outros usam Cristo, drogas, dinheiro, sexo, pertences, o Exército, etc. Nossa meta não é atacar essas pessoas, mas nós também não somos enganados, e nós os vemos como os futuros gerentes afilosóficos medianos que eles são.)

Então, nihilismo… não é uma total falta de crença? É uma falta total de crenças inerentes; limpa-se a mente de todas as pré-concepções, depois analisa-se a situação, depois faz-se uma escolha de ação. Nihilismo é um estado zen, um estado guerreiro, de ter deixado de lado tudo que não seja a estrutura para que, quando agir, que seja de acordo com a maneira que as coisas naturalmente ocorrem, e então haverá sucesso do tipo mais duradouro e profundo. Aqueles que possuem muito da ilusão da vida em suas mentes agem de acordo com o interesse de criaturas, e então muitas vezes perdem o sentido, a estrutura, o ideal de uma situação… ser um nihilista é limpar sua mente para que você sempre veja além da forma de um cenário e veja seus princípios organizadores, e então poder mudá-lo efetivamente do jeito que achar melhor. Nihilismo não é um sistema de crenças para aqueles que querem acreditar em nada porque ele ataca tais reações emocionais primeiro (“Eu vou pegar meus brinquedos e ir pra casa, se você não tornar o valor metafísico óbvio para mim agora, Vida!”) e as demole completamente. Nihilismo não é um estágio final, mas um estágio inicial, e uma disciplina que cresce enquanto o pensamento é explorado. Nihilismo é aprender a voar.
Quando uma pessoa quer aprender a voar, primeiramente deve esquecer tudo o que sabe sobre viver no chão. Gravidade não é absoluta, e pode ser alterada. O vento não é fraco, é forte, e você não resiste a ele como um prédio estático, mas acha a forma certa de cortá-lo, e é como obter energia dos deuses. O céu não é azul, mas tons de azul e preto, dependendo do quão longe você for. Nuvens não são sólidas, nem macias, mas são como fantasmas no ar, e estão sempre se movendo. Todo o resto também está, mas você pode perceber melhor quando está voando. Aprender a voar requer que você esqueça e destrua tudo o que sabia sobre ser uma criatura da terra, bípede e de carne. Seus ossos também podem ser ocos, e seus dedos criarem asas, se você ver que o caminho diante de você não é um caminho, mas um compasso de natureza muito avançada. Voando, move-se em três dimensões; na terra, geralmente move-se em duas, mapeadas na superfície, com exceções raras como subir em árvores ou uma flatulência astronômica. Mas quando alguém voa? Cima e baixo se juntam com frente e trás e direita e esquerda, e de repente cada um tem que ter não apenas graus, mas algum ponto de referência. Tudo é relativo, incluindo a própria relatividade, que é relativa a todas as coisas, tanto quanto o nihilismo reduz o próprio “nihilismo”. Aprender a voar requer a disciplina de uma mente limpa.

(Interessantemente, aqueles que mais resistem a essa doutrina são aqueles que mais reclamam de cristãos, liberais, outras raças, etc. mas falham em perceber que mesmo não apoiando estes grupos, eles estão apoiando as mesmas condições que nos deixaram no estado onde estes grupos estão em conflito. Individualismo é um beco sem saída, porque ele coloca o indivíduo acima de tudo, e é basicamente uma forma radicalizada de materialismo. Siga esse caminho e você será mais cristão que os cristãos, e estará em um bom caminho para descer a escada evolucionária e se tornar judeu. A maioria dos “nihilistas” crianças caem nessa categoria. Eles querem achar uma boa razão para não fazerem nada além de reclamar, e continuam de bobeira com vídeo games, drogas e música heavy metal ruim. Eles acham que “nihilismo” é o suficiente; se você não acreditar em nada, você apenas continua de bobeira. Mal sabem eles que o verdadeiro nihilismo do tipo que eles falam não os deixaria nem aproveitar o GTA e puxar o bong, e que o nihilismo para uma pessoa pensante – uma não trivial e não antropocêntrica – é uma coisa totalmente diferente.)

Meu conselho para qualquer pessoa que quer buscar as verdades neste mundo, ou mudar o mundo: para você alterar o estado da existência, você tem que saber exatamente – e não em termos vagos universitários que podemos enrolar em trabalhos para a professora – as mudanças que você pode fazer na estrutura. Você pode não ser capaz de fazer isso, inerentemente; se os deuses não te agraciaram com o cérebro, a envergadura moral, ou o juízo, você falhará. Ninguém pode te educar para um estado mais elevado da mente. Mesmo se você tenha habilidade, não há garantia que irá conseguir. Você primeiro deve disciplinar sua mente, ou será como ficar em pé em um barco numa tempestade tentando atirar uma flecha num alvo flutuante. Você agora sabe o básico da disciplina esotérica do nihilismo, que irá levá-lo primeiro ao realismo, depois ao idealismo e, finalmente, à transcendência. Você está pronto para esse caminho? Se sim, minha fé e melhores desejos para você. E mais uma coisa – para voar, você deve diminuir o peso que carrega, e injetar alegria na sua alma para que se eleve alegremente, sem se importar com seus fardos, em direção ao sol girando acima em um ciclo infinito de troca de energias.

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Uma resposta para Aprendendo a Voar

  1. nadja disse:

    Eu não acredito: você está esquecendo o principal!
    Se eu, ao menos desconfiar que posso voar, eu jamais voarei pois o peso do conhecimento da minha perpectiva de vôo será uma barreira contrária a mim dentro dos princípios que estão estabelecidos na Lei da gravidade.

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