Tédio, depressão e propósito

autor: F.N. Hütter

A maioria das pessoas é facilmente derrotada pelo tédio e depressão. Elas falham em aceitar uma realidade inevitável que eventualmente conhecerão em todo o seu vazio e que irá destruí-las e a seu inferno particular. Para derrotar esses sintomas, é necessária uma conexão harmônica entre a mente e o mundo mais extenso a partir do qual irá desenvolver um entendimento do propósito e posição na vida.

Primeiro, vamos fazer uma observação concreta desse problema patológico. O homem moderno não-iluminado é confinado em seu ciclo habitual de artificialidade e superfluidade, limitado à quantidade de contato com a realidade que ele poderá fazer. Então esse desprendimento da realidade o faz mais suscetível ao tédio, stress, insatisfação e até depressão. Se alguma coisa rompe esse ciclo, então a resposta é muitas vezes um colapso mental completo. Tal homem moderno típico carece de qualquer propósito criativo, sofre de hipersensibilidade e aceitou as barreiras mentais escravizantes impostas pela sociedade desde seus anos mais infantis. Uma grande falha espiritual, de fato, mas não necessariamente irreparável, muitos possuem a habilidade de aprender (com os erros) e se melhorarem o suficiente para desviarem da mentalidade perigosa da modernidade. Uma questão com a qual sempre sou confrontado: “Como você sabe que a modernidade é a culpada por essas moléstias da mente?!”

Para responder, vamos olhar para como o homem vivia antes de ter as montanhas de sedativos de plástico oferecidos pela modernidade. Em tempos antigos o homem era confrontado com a completa dureza da realidade e não podia fugir dela como o homem moderno faz com distrações tais quais TV, festas, substâncias entorpecentes e outras formas de indulgência desenfreada. Esses frutos modernos, em contraste ao nobre e transcendental propósito de atingir o intangível, resultam em nada espiritualmente. Perseguir esses frutos como propósito e alegria por eles mesmos irá chegar em última instância a um beco sem saída. Quando o homem moderno estiver deitado em seu leito de morte, cheio do poder clarificador que a certeza imanente da morte proporciona, irá ficar claro para ele que nada foi alcançado em sua vida. Como o conhecimento de muitas religiões atesta, não se pode levar nenhuma posse material além do túmulo.

Em tempos antigos o ambiente duro da natureza testava a inteligência e índole do homem até as últimas consequências. Isso serviu para dar poder a seu potencial total e o transformou num severo guerreiro capaz de muitas coisas criativas. O homem antigo tinha evoluído para uma criatura nobre, mais elevada com aspirações elevadas. É apenas natural que enquanto cresce a potência de um ser, também cresce sua expectativa da vida. O que pode ser dito do potencial do homem contemporâneo que não tem nenhum perigo para testá-lo e para evoluí-lo? Ele está crescendo ao contrário, talvez?

A vida engajada em constantes provas vivida pelo homem antigo dava a ele um senso onipotente de vivência e aventura que o levavam mais perto e mantinham sua conexão com uma realidade transcendente. Através dos séculos e através do globo ele criou formas majestosas de arte cultural como grandes escritos, pinturas, arquitetura, batalhas, composições musicais, mitologias, lendas e muito mais coisas que inspiram a alma humana a perceber alturas que a modernidade não pode e nunca irá encorajar. O homem antigo era feliz, enquanto nós, homens modernos, apesar de nossa existência fácil e conveniente, procuramos sem cessar e sem esperança por uma mera amostra de tal contentamento. Eu falo agora da verdadeira felicidade, derivada da certeza e do conhecimento do destino de si próprio entendido dentro de uma ordem cósmica. Propósito não pode vir de uma coisa trivial ou necessária como comer, excretar, respirar, etc. mas precisa vir, como diz Evola, “do alto”, de algo mais que humano e fora do indivíduo, pelo qual uma pessoa possa lutar e ter alegria de saber de que faz parte. Modernidade é a entidade mecânica das mentiras e da escravidão pois ela acredita que a felicidade pode ser atingida através de diversão egoista e coisas transitórias, vazias, materialistas como celebridades, TV, carros rápidos, sexo, drogas e empregos “quentes”. Ela não acredita no propósito imperativo e ordem cósmica que definem a felicidade e a posição justa de uma pessoa. Ela perverte esse balanço essencial e foge da realidade.

Tipicamente, quando as distrações vazias que garantem que sua depressão continue sedada são tiradas dele (ou não funcionam mais), o homem moderno mediano é então confrontado com a frieza da realidade. Na maioria das vezes isso irá causar a ele grande perturbação emocional, sendo que confrontos com a realidade deveriam servir como um portal para um re-despertar e transcendência! Tédio é um efeito colateral da estimulação exagerada e sua negatividade pode ser revertida para o benefício através da contemplação ou meditação que irão servir bem a direção e intenção da sua vida. Se você está depressivo sem nenhuma razão óbvia significativa isso apenas significa que provavelmente você sofre de uma falta de propósito em sua vida, eu portanto te encorajo a encontrar seus talentos escondidos que concentram sua mente fora das esferas da sua personalidade para a eterna e inabalavelmente bela ordem cósmica. Esse sentimento triunfante é em última instância o que faz a vida valer a pena e está aí para quem quiser! Sem propósito para ascender e criar algo imortal que dá as sensações necessárias de estar vivo e de realização a vida é fútil e parasita. Não disperdice tempo precioso com trivialidades, porque todo dia, toda hora, todo minuto e todo segundo conta para afiar sua mente para a criatividade e desenvolvimento. Com esse re-despertar espiritual e descartando o redundante, o tédio e a depressão serão coisas do passado.

25 de janeiro de 2007

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