Vida e Estudo

A seguinte passagem é citada do texto clássico budista O Dhammapada (traduzido por Gil Frondsal):

“Alguém que recita muitos ensinamentos
Mas, sendo negligente, não age de acordo
Como um vaqueiro contando vacas de outros,
Não alcança os benefícios da vida contemplativa.
Alguém que recita poucos ensinamentos
Mas vive de acordo com o Dharma,
Abandonando a paixão, vontade danosa, e desilusão
Alerta e com a mente bem livre,
Não se agarrando nesta vida ou na outra,
alcança os benefícios da vida contemplativa.”

Esta passagem destaca um assunto importante para Tradicionalistas: o balanço entre contemplação e atividade. Nós nos excitamos pela exploração da sabedoria tradicional, como deveríamos, dado que esta sabedoria é a maior posse humana, uma dádiva do divino que pode nos mostrar a melhor maneira para viver; mas não podemos nos esquecer de simplesmente viver. Nas piores circunstâncias podemos nos tornar muito apegados à busca acadêmica pela sabedoria e negligenciar a implementação da sabedoria em nossas vidas. Se uma pessoa sente arrependimento ou está aflita de nunca dominar a terminologia e simbolismo de toda doutrina tradicional, ou que estudar estas doutrinas e suas línguas originais iria precisar de uma vida inteira de trabalho, deve examinar cuidadosamente as próprias motivações para o estudo e ver se são puras. O budismo enfatiza este ponto por histórias de figuras simplórias como lavadeiras alcançando a iluminação sem nem mesmo estudar as escrituras. A tradição Cristã também tem místicos sem instrução que receberam o dom da graça. Aprendizado acadêmico não é essencial para viver uma vida espiritual saudável.

Isto não quer dizer, obviamente, que somos anti-intelectuais. Em sociedades tradicionais existem indivíduos cujo único dever é engajar no estudo intelectual de doutrinas sagradas, preservando o entendimento apropriado da revelação para a comunidade inteira. Mas no oeste, a civilização tradicional desapareceu, e aqueles de nós que desejam restaurar a Tradição devem entender que não podemos abordar a vida como se fossemos membros de uma classe instruída cuja única ocupação é se engajar em atividade intelectual. Atividade intelectual apropriada é a chave, e sem ela não pode haver nenhuma restauração, mas quando a civilização tradicional caiu, todas as funções sociais tradicionais desapareceram, não apenas a função intelectual. Para o tempo presente, devemos ser mais versáteis, e integrar a sabedoria que temos em nossas vidas mais ou menos dentro do convencional da sociedade como exemplos de mudança.

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