Black Metal como Exercício Espiritual

  por http://urgeist.org

Um dos muitos benefícios da consciência atingidos através de estudo intensivo de certas disciplinas meditativas (como Zazen) é uma percepção da e competência em lidar com a dor. Apesar disso poder parecer sinistro, a idéia básica não é. Zazen por exemplo requer, se praticado seriamente, sentar em silêncio na postura de lotus por 90 minutos. Estudantes zen sérios (eu incluso) fazem isto regularmente (talvez 4 vezes no ano) 5 vezes num dia (com intervalos) além de nosso regime meditativo semanal padrão. Estas são chamadas de noites zen em alguns dojos e não se pode completar uma noite zen sem ter que silenciosamente sentar, meditando em seu corpo doloroso. Em algum estágio durante a noite zen, a dor física irá atingir um pico e o estudante terá que exercer sua vontade. A atenção é levada para a respiração e eventualmente a dor física irá desvanescer. A pessoa entra em um novo e para muitos desconhecido nível de consciência.

Muitos dos indivíduos que eu conheci que estiveram por extensas partes de suas vidas profundamente absorvidas no black metal possuem uma certa força e habilidade de confrontar problemas que falta em outros indivíduos. Black Metal, como zazen, é um exercício espiritual. Nosso gênero ensina as pessoas a ir além de pensamentos imediatos que podem surgir em circunstâncias difíceis, para concentrar na situação até que se torne bela.

Esta disposição para lutar é uma característica fundamental de qualquer cultura elevada. Não para parecer chauvinista, de fato, o próprio Friedrich Nietzsche se opôs à guerra pelo simples fato de que ela age como uma distração do que é realmente importante: auto cultivação. Auto dominação. Nossa sociedade perdeu o contato com este princípio. Se você olhar para qualquer coisa de culinária à mais valorizada realização cultural de nosso tempo você irá encontrar um elemento de artificialidade que é baseado em moldar o mundo no que é conveniente. Não para dizer que isto é uma razão para rejeitar toda a “sociedade moderna” – Eu tiro o meu chapéu para qualquer um que tenha entendido as origens históricas deste experimento muito interessante – mas esta observação patente clama por uma solução. Os raros e talentosos indivíduos sempre exemplificam certo grau de perfeição artística e pessoal que eles tentam tacitamente comunicar em seus trabalhos. As pessoas hoje, independentemente do quão estúpidas ou inteligentes são, geralmente esqueceram de apreciar a busca da perfeição. Da política, pelo cinema até a indústria musical, todos os quais lembram uns aos outros em que estão bem longe de qualquer coisa que possa ser chamada de meritocracia, não são nada além de tentativas de conformar para os mais convenientes padrões de comportamento como experimentados pela maioria das pessoas. Este desleixo espiritual se estendeu até os consagrados corredores do conhecimento. Psicologia como uma disciplina chegou até a definir os indivíduos saudáveis baseados em estudos de homens e mulheres comuns como opostos aos excepcionais. Nossos filósofos, pessoas como peter singer, confiantemente dizem que “prazer é a única coisa de valor intrínseco”. O ser humano ideal hoje é o preguiçoso definitivo e Friedrich Nietzsche sabia disto quando ele escreveu que “democracia é a tirania dos homens maus”.

Black metal como um gênero permanece “como uma pedra no rio de nosso tempo” para usar as palavras de Evola. E o que torna alguma música melhor que outra? Como nós justificamos nosso elitismo orgulhosamente explicado? Black metal não é amigável. Nós não somos uma cultura que quer ser feliz. É do eterno que estamos atrás. Músicos que irão escrever álbuns ainda apreciados em gerações que virão, indivíduos tão saudáveis que irão viver mais que os outros, mentes tão absortas na história do pensamento que não podem ser chamadas de subjetivas. Nas palavras de DJ Goat de KCUF radio: “Mire na eternidade e você irá encontrar o fim: o fim da vida, o fim da visão, o fim da própria existência.” Para nós, esta é a mais bela visão. É esta união do bem e mal que faz do black metal um exercício espiritual. Nós lutamos para sermos imortais e nos regozijamos nesta impossibilidade.

Black Metal:

burzum

mayhem

rotting christ

darkthrone

ildjarn

sarcofago

 

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Uma resposta para Black Metal como Exercício Espiritual

  1. João Victor disse:

    Entendo que deve-se enfrentar a própria dor para atingir a evolução da consciência. Como na Divina Comédia de Dante Alighieri, é certo entendermos o Inferno existente dentro de osso espírito.
    Só não entendo a exteriorização do fato. O Black Metal, sim, é música, que por sua melodia, nos leva a vibrações inferiores e nos tornam vulneráeis para com a nossa dor. O propósito, no enfrentar das dores, é saber atingí-la com sinceridade.

    Se buscamos a evolução espiritual, ou da consciência, entenderíamos que a imortalidade é a presunção maior de todas, pois viver uma eternidade com o nível de consciência que possuímos é colocar um empecilho na evolução.

    Acrescenterá uma luz em relação a essa questão, didaticamente, na Bíblia no Capítulo 6º de Lucas. Onde a hiporisia é ressaltada no final deste Capítulo. É necessário, acima de tudo, compreender, que para enfrentarmos nossa própria dor, é necessário harmonizar nossa ideia da vida com nossos pensamentos, atitudes e sentimentos. Desse jeito, por exemplo, se temos a consciência de que matar um animal não é correto, devemos, então, buscar harmonizar isso em todos nossos campos.

    Sinceridade e lealdade era o que o próprio Nietzsche descrevia em seus textos. Para atingir a dor, deve-se atingí-la com o próprio orgulho, mesmo que errado, do próprio ego. Isso é perigoso, por outro lado, mas é sincero.

    Me mande um e-mail se tiver alguma dúvida..

    Um grande abraço e luz!

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