Crença em Deus

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De certa forma, dizer que algo é verdadeiro é redundante. As palavras “é” e “verdadeiro” essencialmente significam a mesma coisa. Portanto quando dizemos que Deus é verdade, entendemos que nós estamos atribuindo ser absoluto a Deus. Nós deixaremos de lado no presente momento a distinção final, ou mais apropriadamente, distinção primária entre Deus como puro ser e Deus como completamente tanscendente e não receptivo de qualquer atribuição. Nosso assunto de discussão atual não é a transcendência absoluta de Deus mas a relação de Deus com a criação. Que Deus é verdade e que a verdade é uma, não muitas, segue logicamente; pois como verdade, Deus é a medida objetiva pela qual todas as outras coisas são medidas. Não pode haver duas medidas objetivas separadas da verdade; pois se estas duas medidas concordassem em toda ocasião, então não seriam duas, mas uma, e se discordassem, então no máximo uma das medidas poderia ser considerada como tal. Uma declaração que diz que uma criatura individual possui uma qualidade é verdadeira apenas se reflete a existência (i.e., o ser) daquela qualidade naquela criatura. Esta existência (ser) é derivada de Deus. Então a existência de todas as qualidades são dadas por Deus, e é verdade que uma criatura tem uma qualidade apenas se Deus deu existência àquela qualidade. Num nível fundamental, até uma asserção mundana é verdadeira apenas se Deus deu existência a ela.

Tendo isto em mente, nós vamos adiante para a declaração talvez controversa de que todos os homens acreditam em Deus. Isto é, todos os homens acreditam em verdade objetiva, até aqueles que se recusam a admitirem para si mesmos. Homens obviamente variam na precisão de suas crenças. Nós podemos dar uma lista graduada destes tipos diferentes de crença. A lista não é de forma alguma exaustiva e meramente representa alguns exemplos. Nós começamos com aqueles que possuem a mais perfeita crença possível para um homem, a crença que Deus é um, bom, e transcendente. Esta é a visão tradicional. Em seguida temos o que podemos chamar de visão científica. Muitos dos proponentes desta visão negam Deus vigorosamente, mas ainda assim não explicam qual é a medida da verdade objetiva. Sentindo este problema eles dizem que estão meramente tentando aproximar a realidade, mas isto apenas empurra o problema de volta. Ainda existe uma coisa objetiva (verdade) a qual estão visando. Se eles estão visando a verdade, então a verdade deve ter existência, ou então eles poderiam também estar visando o nada. Isto nos traz a raiz do problema: não pode haver distinções ontológicas sem metafísica. Mesmo tentando denunciar a metafísica, sempre continua em suas mentes sempre que fazem uma afirmação em discurso ou em pensamento. Por isso nós dizemos que eles acreditam em Deus, apenas de uma forma bem distorcida e degenerada. Ainda mais baixa que a visão científica é a visão pseudo-dialética extrema dos Marxistas.

Nós dizemos pseudo-dialética porque o que os Marxistas consideram como dialética é na verdade uma inversão da dialética dos filósofos antigos. Para os últimos a dialética era um meio de remover verdades contingentes da psique como um meio de alcançar o um princípio não-qualificado de todas as coisas (Deus). Para os Marxistas dialética é um processo insano de revisão constante e radical de teorias, uma remoção de crenças atuais mas não para atingir transcendência, apenas mais remoção constante de idéias. Há um desejo de fluxo constante e movimento, nunca parando em uma teoria. Por exemplo, há Marxistas hoje que rejeitam a ciência moderna, apesar do fato de que sua visão de mundo foi parcialmente baseada nela. Eles fazem isso porque dizem que a ciência moderna se desenvolveu em uma cultura chauvinista, opressiva, e é portanto suspeita. Ao fazer isso eles subestimam a própria base de sua filosofia, mas isto não os incomoda, pois não se importam com uma fundação, apenas revolução. Como podemos dizer que tais homens crêem em Deus? Porque em seu frenesi de teorizar e revisão, até eles querem afirmar a verdade de uma teoria. O entendimento deles de verdade é tão pobre que podem apenas dizer que uma teoria é certa por enquanto, em seguida abandonando-a. Mas no entanto, ao promover uma teoria eles estão implicitamente declarando sua existência, sobre ela ter uma relação com o que realmente está no mundo, com a verdade. É claro que as afirmações deles devem ser consideradas pelas besteiras que são, pois não possuem um chão firme para se firmarem.

Apenas um sistema orgulhosamente e conscientemente metafísico pode de forma legítima fazer declarações sobre a verdade.

 

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