Entrevista com Vijay Prozak

Olá,

Obrigado por me mandar isto, é um conjunto de questões bem interessante.

1. Qual você acha ser o motivo de ter tanta fantasia em todas as culturas (mitos, lendas, criaturas etc.)? Talvez seja por causa dos enteógenos. Você acha que algumas criaturas, como anjos, arcanjos, são representações de conceitos e interações com o mundo real, ou sistemas representando algo real, codificados? Alguns dizem por exemplo que demônios representavam defeitos psicológicos ou espirituais, mas o que vemos hoje são pessoas acreditando na existência de anjos e demônios (OBS: Isto não quer dizer que eu, o entrevistador, excluo totalmente a possibilidade da existência desses seres). Você acha que os criadores (humanos) dos deuses os fizeram para servirem apenas como representações, ou realmente acreditavam neles como eram descritos, com corpos, etc.?

Mitos representam nossa própria consciência, projetada no mundo. Esta é uma maneira válida de perceber a realidade porque pela natureza de nossos cérebros serem mecanismos modeladores da realidade por si mesmos, não há maneira de escapar de projetarmos no mundo; em vez disso o que faz sentido é refinar nossas projeções para que a metáfora entre em cena onde de outra forma nós nos tornaríamos manipuladores. A mente subconsciente fornece mais clareza para isto do que a mente consciente, e é esta parte da nossa mente que gera o mito.

Existe uma progressão história entre materialismo, animismo, politeísmo, dualismo e idealismo que sugere que nós nos movemos lentamente do mito primitivo (tratar o mundo como personalidade) para mito complexo (tratar o mundo como uma vasta mente, máquina, computador ou cálculo o qual por sermos gerados por ele, opera de forma bem parecida com a que nossas mentes operam). Eu acho que você está certo em que as pessoas frequentemente confundem metáfora com uma realidade, e são capazes de aproveitar daquela realidade ou um símbolo dela, mas não entendem a metáfora, e então se afastam mais da realidade. Das minhas leituras da história, é desta maneira que as civilizações morrem lentamente.

Eu certamente acho que enteógenos tiveram um grande papel em estimular a imaginação humana, ou ainda aquela misteriosa área onde imaginação e análise coincidem; afinal, alucinação é um vazamento da imaginação na percepção, especificamente a parte onde o cérebro tenta combinar arquétipos da memória com a coleção de estímulos diante dele.

No entanto, eu penso que existe uma experiência mais fundamental a qual nos prepara para entender a experiência alucinógena, que é o sonho e/ou febre, ambos os quais introduzem um estado como alucinação onde objetos são agrupados por seus significados para o indivíduo, não pelo espaço e distância física. Este é o mundo da associação livre, onde apenas o efeito predomina; não há cadeia de causas que os trás à tona exceto a própria mente humana.

Assim como em nossa maquiagem psicológica nossas emoções podem ser separadas dos eventos ao nosso redor, em nossos sonhos não há nenhuma realidade singular necessária conectando objetos, eventos e pessoas. Em vez disso, eles são puramente gerados de dentro de nós e projetados no mundo, assim como nas alucinações estamos vendo coisas que não estão lá, do lado de fora do mundo — ao invés disso, estão simplesmente em nossas cabeças.

Mito dá um passo além dos enteógenos, fantasia, sonhos e febre criando um caminho de causa->efeito em nossas visões. Mitos explicam a realidade na linguagem do nosso subconsciente; alucinações projetam as imagens do nosso subconsciente para a realidade e esperam que grude. Por esta razão, eu vou com a idéia de que meditação e prece são mais influentes do que enteógenos no registro histórico, apesar de que sob a influência de um enteógeno toda história parece se comprimir naquele um momento, para o usuário de qualquer forma.

2. Você declarou que apóia a meditação. Você tem alguma forma de prática contemplativa?

Eu mantenho minha prática o mais simples possível, e é isto: eu caminho pelas terras naturais que estão perto de onde eu moro. Lá, eu tento inverter nossa relação moderna normal para prática. Tudo é prática; tudo é atenção.

Quando eu estou no mundo, quer eu esteja comprando porcaria no Wal-mart ou trabalhando algum emprego ou sozinho escrevendo, eu preciso estar atento e consciente de que cada momento da vida é uma dádiva sagrada pela qual uma pessoa sã é reverente. A vida é prática; prática, também, é um portal para a alegria. Apesar de eu também ter momentos específicos para meditar, e muitas das minhas caminhadas são solitárias para o propósito de meditação/prece, eu sou constantemente lembrado de que todos os momentos da vida são oportunidades para clareza, alegria e fazer o que é certo para me adaptar ao universo e levar adiante sua organização/grau de ordem.

Eu penso que é importante reconectar com objetos de reverência no mundo natural regularmente. Isto pode ser árvores, lagartos, beija-flores, flores, lagos ou até caçar bestas perigosas (certifique-se ser possível que você perca!). Nós paramos de aproveitar a vida realmente quando perdemos um sentimento de admiração para com ela, e então nos concentramos apenas no negativo porque já estamos acostumados com o positivo já que ele não muda ou não ameaça mudar, então nós temos que alterar as coisas um pouco e ir visitar as matas. Também ajuda fazer o que Trey Azagthoth chama de “embaralhamento de paradigma,”, ou mudar sua agenda em tempos aleatórios. Fique acordado até tarde ou acorde cedo, vá fazer algo diferente, e então visite a mata. Uma mente clara, calma e prática é o melhor presente do céu.

3 Se você ora, você o faz para si mesmo como uma forma de auto-sugestão, ou para Deus?

Meditação e oração, na minha visão, significam a mesma coisa: clarear a cabeça de toda desconstrução e ver o mundo como unidade, e daí ver o sentido por trás de tudo que é e que pode ser, e daí vermos como podemos complementar essa ordem e avançar seu desenvolvimento de simples e caótico para complexo e planejado. Na verdade, na velha sabedoria européia, prece e meditação são usados alternadamente, apesar de que “meditação” também significa pensamento intenso especialmente enquanto caminhando.

Eu oro para as árvores e para o que eu vejo como a fonte da existência, que é a própria existÊncia e um “God-head” de logicidade sustentando o universo. Orar para auto-sugestão não é uma má idéia também, mas na minha mente, a essência da prece é a meditação. Para limpar a mente, permita-a formar na totalidade da complexidade, e então permitir o sonho acordado consciente que é a união de pensamento criativo e analítico — isto é prece, reverência e amor pelo universo, tudo de uma vez.

As pessoas oram de maneiras diferentes. Eu acho as igrejas Protestantes Européias e Americanas mais antigas minhas favoritas porque elas possuem uma densa e veneradora do aeon atmosfera que é agradável e amansadora para a mente. Até os fracos ecos de seus grandes salões induzem um tipo de transe que deixa mais fácil esquecer muito da matéria corpórea e pensar sobre pensamentos, emoções, espíritos e almas.

4 Há algum tempo atrás foi declarado numa página sobre nihilismo que você é um materialista. Isto mudou, e como?

Materialista, da forma que eu estou usando, significa “alguém que acredita que não há nada mais do que o mundo físico” e esta idéia normalmente decai para “não há nenhum significado maior do que seu próprio conforto físico” no vernáculo, principalmente porque é assim que isto é entendido pela maioria dos materialistas. Eu considero esta versão decaída da idéia inválida ao extremo, mas ao mesmo tempo, eu me recuso a acreditar em qualquer coisa que não esteja ali.

Eu sou um não-dualista ao extremo, então eu teria que me descrever como um materialista com tendências monistas e transcendentais-idealistas. Isto significa que eu acredito que nossa ordem material é tudo o que existe, mas acredito que ela possui dimensões adicionais reveladas pelos padrões corretos de pensamento, energia e matéria. Mais além, isto significa que eu rejeito o extremo materialista pelo qual somos as metas de nós mesmos; ao invés disso, eu penso que a vida (e sua ordem) são as metas de nós mesmos, e quando pensamos dessa forma, temos chances muito maiores para contentamento do que de outra forma.

Uma coisa que continua a me fascinar é como materialismo, idealismo e realismo não apenas coexistem como também potencializam um ao outro. Eles não são um continuum, mas meios paralelos de entender a mesma coisa. Se eu disser que sou um materialista puro, mas então encontro a física quântica, de repente estou pensando que meu materialismo precisa incluir Heisenberg para ser coerente, e isso me leva para a esfera de dizer que pensamentos influenciam a realidade.

Se eu sou um idealista puro, e penso que a realidade é correlativa com a mente, eu tenho que admitir que a mente é um produto da realidade então de acordo com o materialismo, é natural que ela reflita o ambiente que a criou. Mas se sou um realista, tenho que olhar para todos os citados, e perceber que falso reducionismo cria uma verdade parcial, ou reflexão parcial do mundo, que até podemos chamar de “simulacra” porque já que conhecemos o mundo através de nossas mentes, se nos condicionarmos a olhar apenas partes da equação da realidade, nós podemos efetivamente “viver” naquele mundo que como um símbolo ou metáfora representa o todo de nossa mundo com menos coisas do seria necessário.

O exemplo mais simples disto são pessoas decidindo que a vida está dividida entre aqueles que são maus, e aqueles que são bons; uma versão mais complexa é alguém que decide numa narrativa de governo-contra-O-Povo. Nossa verdade parcial nas mãos de nossas mentes se torna uma narrativa que por sua vez se torna uma realidade simbólica, e então estamos longe da realidade em si — e um realista pode facilmente dar este falso passo através da negação dos atributos do idealismo que são verdadeiros, ou até mesmo qualquer atributo da metafísica, assim como um idealista pode cometer o mesmo erro não percebendo que “correlativa com a mente” não significa que a realidade apenas existe na mente, apenas que funciona como nossas mentes.

5 O problema do que acontece após a morte sempre assombrou os humanos. Você declarou que provavelmente você apenas não será mais. Mas o conceito de “vazio” (nada) é inconcebível. Você acha que é possível que nos tornemos nada? Ou o vazio não existe? Talvez você pense que irá reencarnar?

Como alguém que é inclinado para um materialismo sem muita imaginação, eu costumo pensar que somos máquinas de perceber e que quando somos desligados, as luzes do teatro se apagam e o teatro desaparece. No entanto, há dois fatores que poderiam jogar isso para um ciclo. Primeiro, vivemos num universo relativo, o que significa que o fim de cada eventualidade é relativo ao seu próprio começo, de forma que eles definem um ao outro; a criação do evento por si só altera seu ambiente, de forma que traços do evento persistem. Eventos em nosso universo são menos como traças uma linha do ponto A para o ponto B, do que uma mola que soltamos entre A e B que simultaneamente alcança A e B.

Segundo Heisenberg, quando um observador existe ele muda o resultado de um experimento; extrapolando um pouco, isto pode significar que nosso universo não foi criado, mas criou a si mesmo pelo fato de reconhecer sua não existência, e que isto fornece um arquétipo para todos os eventos/objetos: eles efetivamente não possuem começo e fim porque eles são criados por uma tensão criada por relatividade a si mesmos, como um observador examinando o experimento que é sua própria vida, então eles podem existir não numa dimensão dualista como “céu” mas num sentido informacional, em outro lugar. Neste sentido, a criação deles é relativa a seu mundo descobrindo uma necessidade para eles, e eles não são portanto inteiramente discretos como acreditamos que um cérebro físico seria, mas uma culminância da interação de padrões em todo o ambiente.

O segundo fator é obviamente tempo, e a probabilidade que ele é um artefato da interação de eventos e objetos, e a partir disso, a probabilidade de se um certo circuito de evento fecha no tempo segundo nossa narrativa relativa do tempo indo em frente, isso não implica que ele deixa de existir, apenas que ele deixa de existir no tempo que nós como observadores podemos definir. Pode continuar através de sua própria relatividade para aquilo que interage com ele, provavelmente em algum tipo de tempo paralelo, ou talvez nós estejamos vendo o tempo incorretamente e ele existe em paralelo, todos os momentos de uma vez juntos. Em outras palavras, a morte pode ser uma cessação de nossa narrativa em frente mas se o tempo não é linear, e é mais como o espaço, a existência pode continuar em outras partes da topografia cronológica.

Considerando o básico da morte, é claro que quando cessamos como animais nós paramos de existir na forma a qual estamos acostumados, e talvez perdemos a individualidade que nos faz nos percebermos como distintos da consciência em si — apesar de tudo, a consciência é provavelmente uma propriedade do universo e não é criada por nós indivíduos que temos um pouco dela. Eu penso que a observação de Evola que a morte deve ser uma grande tragédia para a vida ser grande é válida aqui, assim como é a sabedoria de Schopenhauer de que quando morremos voltamos a ser seja lá o que fomos antes de nascermos. Se o material é tudo o que vemos, nós podemos acreditar que é o fim; se vemos a nós mesmos como padrões manifestados no material, ou emergindo dele, existe ou (a) um percursor da nossa inteligência que tem sua origem e continuidade no universo ou (b) a possibilidade desses padrões existirem em outro lugar além do aqui e agora.

No entanto, dadas as observações acima sobre o tempo e a fluidez de eventos relativos ativando a existência uns dos outros — uma causalidade de dois caminhos, ou sincronicidade através do tempo — Eu penso ser possível que nunca houve um tempo em que não fomos nascidos, e nunca há um tempo em que morremos; por agora, existimos dentro deste circuito do tempo o qual é relativo à nossa percepção enquanto tomamos esta forma, e é possível que nossa existência agora cause nossa existência em outras formas, e vice-versa, o que significa que possa haver mais para explorar. O que eu penso ser mais importante é que mantenhamos a morte um mistério, como presentes numa manhã de Natal, com nossa certeza que ganharemos apenas meias, mas mantendo a esperança que alguma aventura não descoberta ou esperança fascinante exista na esquina.

6 Você sabe alguma coisa sobre as seguintes práticas e quer comentar algo sobre elas:

*Projeção Astral
*Magia
*Oração
*Visualização Criativa
*Magia Sexual

Eu vejo estas na maior parte como sub-partes de outras disciplinas. Projeção astral é um aspecto que deve ser controlado pela meditação, a qual é uma projeção para um mundo ampliado pela consciência das causas de símbolos e objetos, ou pessoas, lugares e coisas em nosso mundo. Eu sempre gostei da definição de Crowley de mágicka, ou “a ciência e arte de fazer mudança occorrer em conformidade com a vontade.”

Segundo Heisenberg, sabemos que um observador influencia o resultado de uma equação. Podem pensamentos disciplinados — tendo padrões em nossos pensamentos que são paralelos às causas dos resultados que desejamos na realidade — então influenciar a realidade? Até certo ponto, sim, mas como um bom nihilista devo dizer que nosso universo é “convergente para a realidade física”, significando que seu árbitro final é o mundo físico que conhecemos como real/tangível, mesmo que possua causas intangíveis e efeitos a longo prazo.

Prece é meditação é prece é um circuito retroalimentar de alinhar sua vontade com seu conhecimento da realidade, refinando a si mesmo enquanto refina seu conhecimento dela. Eu imagino que Visualização Criativa caiba aí, também; Sonhos Lúcidos merecem ser mencionados, e já tive ótimas experiências com isto, que é basicamente introduzir um estado meditativo de escolha consciente em seus sonhos.

Magia Sexual parece ser uma sub-parte do tantra, que é uma disciplina complexa que eu não entendo ou sinto que seja aplicável àqueles que querem passar por cima de um estreito circuito retroalimentar com as exigências kármicas do corpo e ego; Eu penso que sua intenção original, como uma forma de proto-Budismo, era disciplinar aqueles impulsos cooptando-os. Não tenho certeza se essa abordagem alguma vez funcione.

Eu recomendo altamente a meditação como ponto de partida, seja a Ocidental convencional (caminhe sozinho na mata, pense pensamentos melancólicos que minimizem o ego) ou Oriental (respiração controlada, silenciamento da mente), assim como atenção ou reverência em tudo o que você faz. Se você faz da vida sagrada, em vez e perseguir símbolos sagrados ou práticas sagradas como um fim em si mesmas, você sempre irá carregar com você a paz da alma e clareza da mente daqueles que habitam no Nirvana.

7 Você acha que cannabis, LSD e enteógenos lhe trouxeram significado ou sabedoria?

Eu só posso endossar cannabis indica e psilocybin; outras drogas parecem ajudar menos, apesar de eu nunca ter tentado as preparações Sul Americanas de ayahuasca e outras substâncias que ocorrem naturalmente. Eu acho que 3g de psilocybin, em pontos chave da vida, podem ser indutores de clareza sem igual; eu acho que maconha ajuda a mente a vagar caoticamente através de variações em um tema e descobrir novas dimensões.

Fundamentalmente, eu escolho me manter longe destas e em lugar prefiro meditação/prece, estudo, disciplina, e leitura porque induzir estas habilidades sem tais drogas é possível, e muito mais gratificante do que continuar dependente das drogas. Eu não acho que elas me ensinaram nada que eu não aprendi quando criança ficando acordado até tarde da noite e ficando delirante, ou caminhando por horas nas matas, ou meditando sozinho na maneira semi-caótica que as crianças fazem, através de brincadeira e questões e pressionar duramente o cérebro sobre questões que ele não está pronto para perguntar, muito menos responder. Crescimento é dor.

Até agora, eu desviei de suas questões ou fiz um longo prefácio falando apenas sobre os métodos/técnicas que as drogas oferecem. Significado? Sabedoria? Estas coisas vêm de mim mesmo descobrindo meu mundo e tentando me adaptar a ele. Drogas são como a meditação um portal para a percepção, e daí para o conhecimento, e daí para a sabedoria. Elas não são por si mesmas sabedoria ou significado, nem mesmo são necessárias.

Neste tópico, eu tenho que concordar com o filósofo Alan Watts, que disse “Quando você receber a mensagem, desligue o telefone.” Se as drogas são um portal para o conhecimento, elas são provavelmente uma experiência rara e sacralizada, não uma de todos os dias, já que isso diminuiria a intensidade daquela experiência através da repetição e então faria os usuários aumentarem a dose para alcançarem (como uma forma de nostalgia) a primeira intensidade da droga que eles experimentaram mas nunca conseguem novamente. Você nunca pode ter suas mais profundas experiências com drogas novamente, porque a experiência não foi causada pela droga mas pela interação de você, droga, e onde você estava no contexto da sua vida naquele ponto

Mas a maioria dos usuários de drogas tentam, de novo e de novo, revisitar aquele momento, como homens de 42 anos nostálgicos bebendo a mesma marca de cerveja que eles beberam na escola no campo de futebol onde a “maior noite da minha vida” aconteceu quando eles marcaram um grande ponto em algum esporte. Por esta razão, eu encorajo cuidado com as drogas — Eu penso que poderia ter aplicado melhor tempo, energia, dinheiro e intensidade emocional em outros lugares durante a maior parte da minha experiência com drogas. De certa forma faço uma exceção hipócrita para minhas duas drogas favoritas, cafeína (café Ruta Maya) e nicotina (cachimbo com tabaco “Golden Burley”).

8 Qual você diria que é mais benéfico: Meditação ou enteógenos/cannabis/LSD?

Meditação/prece, com certeza. Eu acho que respondi boa parte disso nas questões 1 e 7, mas como o mito, a meditação preserva o equilíbrio correto entre causa/efeito de nosso relacionamento com a realidade: nós achamos metáforas em nosso psiquismo para o que acontece fora de nós.

9 Acha que chakras realmente existem, como círculos/centros de energia que giram?

Nervos parecem ser caminhos semi-cíclicos sobre os quais flui energia eletroqúimica; por que não chakras? A coisa com a metafísica é que ela descreve os padrões das causas, não os mecanismos, e então como metáforas em romances é deliberadamente vaga. Isto a deixa adaptar a qualquer nível de conhecimento e é o brilhantismo da linguagem; seu contexto “escorrega” para acomodar níveis de detalhe. Os sábios Hindus do passado (e os sábios Nórdicos do passado) nunca me levaram ao caminho errado, então fico inclinado a pensar que chakras são o meio mais viável de entender o sistema nervoso humano e os estados mentais que ele indica.

Uma coisa que é importante sobre culturas Tradicionais é que elas usam uma linguagem chamada imaginação mítica, que une imaginação e análise,produzindo metáforas que são menos exatas tecnicamente do que nossa linguagem moderna, mas melhores para descrever padrões abstratos, e como um resultado, mais memoráveis e mais funcionais fora de disciplinas puramente técnicas. Quando eles dizem que chakras são centros de energia que giram, poderiam estar literalmente descrevendo o movimento de nervos, usando uma metáfora, ou descrevendo o papel que chakras desempenham sem concentrar muito em detalhes específicos.

10 Algumas pessoas acreditam que existem vários tipos de espíritos e criaturas que não podemos ver, inclusive em outros planetas de nosso sistema solar. O que você acha disso?

Eu acho que nosso sistema cognitivo evolui para entender um mundo com muitos tipos diferentes de informação, e nossa consciência é separada do órgão que a percebe já que a consciência é uma coisa matemática/lógica, enquanto o órgão é uma biológica/adaptativa. Então nossas mentes podem fazer decisões que não são eficientes ou seguras na realidade, enquanto nossos corpos são feitos ao redor do que é eficiente e seguro.

É certamente possível que espíritos andem entre nós, ou que camadas/dimensões adicionais de nosso universo existam e espíritos existam nelas. É possível que criaturas existam em formas que não podemos reconhecer, como padrões de energia ou materiais que não podemos medir; imagine uma criatura feita de luz, por exemplo, que fosse capaz de se alimentar de escuridão. Como OVNIs, eu tenho que dizer que eses são possíveis; diferente dos OVNIs, eu não posso dizer que há alguma razão necessária para eles existirem mas não considero isso um argumento definitivo contra eles.

11 Já teve alguma experiência contatando espíritos, ou concluiu que foi tudo perda de tempo?

Eu vou tomar o caminho do meio aqui e dizer que eu já testemunhei coisas que não posso explicar pela razão materialista, mas nenhuma que tenha de qualquer forma dado apoio a uma visão de mundo dualista (plano espiritual separado).

12 Fenômenos parapsicológicos: Reais ou besteira? Se reais, como ninguém ganhou o desafio do cético James Randi?

O campo da pesquisa parapsicológica é infestado pela mesma coisa que afeta as pesquisas de OVNIs, neo-nazistas e hackers: porque o campo não é sancionado, atrai pessoas que estão procurando uma razão para serem importantes em suas vidas sem importância em um número muito maior do que os pesquisadores honestos entre eles. Se sua vida é um apartamento ruim, trabalho entediante e uma coleção de revistas pornográficas, então é bem fácil se tornar um “escritor” ou “ativista” num campo que é negado pela maioria das pessoas ao seu redor.

Não há valores, nenhuma visão, e nenhuma necessidade de interagir com qualquer coisa difícil na vida — apenas culpe na conspiração da negação. Como resultado, a lógica ruim prevalesce. Vou dizer o seguinte: ninguém que honestamente tem este tipo de habilidade irá se dar ao trabalho de contatar um Randi, ou mesmo tornar público. Como todas as disciplinas estoéricas, a do controle mental inclui poderes que se não forem usados com cuidado, irão destruir ou perverter o usuário. Você não vê gênios reais em programas de jogos de TV, e não vê místicos reais em programas de entrevista, e lá é aonde os parapsicólogos geralmente aparecem, como uma estranheza.

Tenho certeza que a verdade está em algum lugar no meio como é de costume. Para começar, segundo Heisenberg, nossas mentes influenciam a realidade. Precisamos mais do que isso?

13 Já foi assaltado?

Não com sucesso. Eu estava uma vez tão stroken (drunk/stoned; é uma palavra holandesa que significa o estado combinado em que cada intoxicação intensifica a outra) que eu espantei completamente um cara que tentou me assaltar, apesar de estar armado. Acho que ele percebeu que seria mais sábio não interagir com a pessoa realmente intoxicada. Eu tive sorte, no entanto, pois a maioria dos assaltantes são pessoas que falharam na vida e falharam em pensamento a longo prazo, então tem tendência a usar a violência sem razão. Eu não acredito na história de “eles apenas estão em situações ruins”, porque de todas as pessoas que eu vi se voltarem para o crime, nenhuma o fez porque não tinha outra alternativa de fazer dinheiro. Eles fizeram porque era uma maneira mais conveniente ou mais mentalmente satisfatória de fazer dinheiro ou de usar o tempo.

14 Hoje em dia o casamento genuíno está em decadência. Será que a maioria dos casamentos eram apenas por obrigação pois ficam estagnados com o tempo?

Faz sentido olhar para casamentos específicos, ou tipos de casamentos. Um bom casamento não irá cair no tédio, pelo menos não tanto quanto a vida em si. Um mau casamento é como estar na cadeia pois as duas pessoas não estão configuradas para cooperar, e então não é apenas disfuncional, mas envolve constante stress e discussões ou ódio sublimado.

Muitos dos melhores casamentos são arranjados, porque um líder inteligente local pode olhar para seus pais e avôs, entender suas habilidades e inclinações, e ver quais deles chegaram a você, e escolher um parceiro compatível mentalmente e biologicamente melhor do que você irá poder antes de chegar aos 40 ou 50 anos e ter a experiência deles — dos casamentos que eu conheço, eu diria que a maioria dos felizes foram arranjados ou pseudo-arranjados como era a tradição na Europa ou nos EUA até quarenta anos atrás, onde seu sacerdote ou líder da cidade local te aponta na direção de uma pessoa compatível e facilita o cortejo (até mesmo discutindo com pais/juntando fundos para você).

15 O que você pensa que pode significar atos de magia no Velho Testamento (Bíblia), como Moisés abrindo o mar, transformando sua mão em leprosa e depois de volta ao normal, transformando um bastão em cobra, etc.? Aparecem também milagres no Novo Testamento com Jesus fazendo várias coisas. Acha que é tudo simbólico? E por que seria a grande fascinação de textos antigos com coisas que parecem impossíveis e magia?

Textos antigos percebem que se tentarmos falar a verdade objetiva, nós acabamos falhando em dobro: primeiro porque não podemos, já que estamos traduzindo em símbolos que dependem mais ainda de quem vai perceber do que do criador, e segundo porque representando uma realidade falsa como uma realidade inteira, nós despistamos as pessoas. Então em vez disso eles fazem suas metáforas descaradamente e dizem o impossível como realidade porque forma um bom arquétipo mítico, ele expressa o tipo de clareza que achamos em sonhos ou meditação, e como resultado é superior a uma seca análise materialista. Estas coisas aconteceram? Como exemplo, talvez uma inundação realmente aconteceu durante um período de grande maldade da humanidade, e afogou todos menos aqueles poucos inteligentes o suficiente para começar a construir barcos quando as chuvas começaram. Se vamos estudar o clima e “provar” que o evento foi aleatório, ou declarar que um deus impossivelmente sábio o fez, é provavelmente inútil, pelo menos para explicar a metafisica do evento.

16. Você acha que o socialismo pode ser uma boa alternativa para países da América Latina?

O Socialismo funciona por um curto período de tempo, mas com o tempo, se torna psicologicamente danoso mais do que qualquer coisa. Como resultado, eu não penso ser uma boa idéia nenhum país adotá-lo. Seria um período feliz por cerca de cinquenta anos, e depois uma queda que seria miserável. Estou consciente dos problema sociais e outros que vocês brasileiros enfrentam. A tecnologia pode “mais ou menos” ajudar nesse processo histórico mas é improvável que o faça por muito tempo, já que o último critério de uma sociedade é seu QI médio, o qual indica o quanto mais provável é que cheguem a níveis de primeiro mundo de sistema legal, higiene (isto é uma grande coisa, regulação de doenças), educação, disciplina militar, sistema financeiro, infraestrutura e consenso social em valores mais elevados do que conveniência. A curto prazo, o socialismo pode parecer um benefício para alguns países da América Latina, mas a longo prazo, é parte de seu ciclo de morte.

Em alguns lugares, como na China, eu acho que o socialismo/comunismo levou o bem para a população — mas isso é mais a noção de uma economia comandada e forte governo centralizado do que um sistema econômico. Na verdade, acredito que a economia é secundária à inteligência bruta da população, ter valores ou consensos culturais, e ser unida por uma sucessão, linguagem, costumes e cultura — o socialismo é mais destrutivo para nações que têm muito a perder, porque é desnecessário e cria uma elite separada que governa sendo politicamente correta mas não efetiva na realidade, mas em nações com nada a perder, ele limita o caos que está acontecendo e ajuda a levar as pessoas de volta ao caminho para o desenvolvimento (melhorar o QI médio, diminuir o número de criminosos, pervertidos, retardados e manipuladores) para ter uma ordem mais elevada de civilização.

O terceiro mundo não é um lugar; é um tipo de civilização, e um nível de população (baixo QI médio, muitos defeituosos) que a apóia. No momento, a maior parte da humanidade está indo para o status de terceiro mundo por causa de reprodução não verificada, multiculturalismo/diversidade, padrões sociais diminuídos, externalização da função moral, igualitarismo e governo baseado em controle que cria um novo tipo de psicopatas onde quer que vá. Eu espero que todas as nações revertam isto, mas o socialismo não é a bala de prata, apesar de alguns de seus componentes — forte governo central, modelo econômico não-consumista — claramente são parte de qualquer solução funcional.

17 É difícil sobreviver em uma floresta? Você já encontrou momentos perigosos enquanto estava sozinho na floresta?

Nada é difícil se você souber como fazer. Sobreviver numa floresta requer um pouco de inteligência burta, mas não muita, e algum conhecimento bruto, mas na verdade não muito. A maioria do que é preciso é comportamento sistemático e manter uma mente fria em momentos difíceis. Eu tive alguns momentoe bem intensos na floresta onde eu quase me matei ou mutilei, ou me tornei comida para algo.

É parte da diversão, e quando eu ficar velho e tiver problemas cognitivos ou físicos, estou contando com a floresta para me matar para que eu não me torne um fardo para alguém. Quando você pensa sobre isso, é mais gentil do que morrer numa cama de hospital cercado de pessoas pagas para limpar sua bagunça e fingirem que se importam.

18 Já sabemos que você gosta de música erudita, metal e ambiente. Nomeie 5 álbuns de outros estilos de música que você recomendaria.

Seriam todos clássicos. Estilo é uma abordagem composicional, e um “espírito” ou modo de abordar o assunto escolhido. Metal, clássica, e ambiente expressam as propriedades de um intelecto organizado que está tentando se adaptar à realidade, e quase todos os outros gêneros estão indo na direção oposta — em direção ao ciclo kármico no qual o ego individual pensa sobre si mesmo e seus desejos, tentando ignorar a questão maior de experiência na vida e ter uma vida significativa pela qualidade e administração de experiência, não um núcleo de prazer/experiência intensa. A vida ou é uma curva de aprendizado ou um buffet de estímulos de alta intensidade, e o segundo se torna entediante para qualquer um que possa ver as similaridades entre seus eventos. Por esta razão, eu sou meio limitado, apesar da diversidade no metal, ambient e clássica ser tanta que eu não fico nem um pouco entediado.

Aqui estão cinco álbuns/trabalhos que qualquer um com um espírito que ame a vida, o bom e o mau, deve considerar:

1. Brian Eno – Ambient 1: Music for Airports
2. Tangerine Dream – Phaedra
3. Slayer – South of Heaven
4. Kraftwerk – Tour De France Soundtracks
5. Ludwig van Beethoven – The Nine Symphonies (preverivelmente conduzido by von Karajan)

19 Você falou que os filósofos modernos não possuem muito valor. Por quê?

A maioria da filosofia pós-segunda guerra mundial se concentra numa análise de símbolos, linguagem e argumentos lógicos. A tentativa é desenvolver uma inteligência programática, ou como máquina, que possamos ensinar para as pessoas em vez de ensiná-las a realmente pensar. Como a maioria dos princípiso democratizantes, ela supõe que todas as pessoas são iguais em potencial e habilidade e esquece que algumas são simplesmente melhores pensadoras que outras, e isto introduz camadas de instruções sobre como pensar que atrapalham aquelas enquanto fazem verdadeiros idiotas pensarem que são profundos.

A maior parte do que a filosofia está fazendo atualmente é tentar absorver avanços em ciência da computação, linguística e psicologia, mas até mesmo esses “avanços” são camadas de formalização com um olhar interno baseadas nas descobertas dos 1920s. Então a filosofia parou de liderar e nos mostrar para onde apontarmos nossos cérebros, e se tornou neurótica, em vez de examinar como pensamos e nos comunicamos, e este tipo de lógica solipsista produz nada além de uma “correnteza das plebes” cada vez maior onde discutimos entre nós mesmos em direção ao menor denominador comum.

Existem algumas exceções, como Paul Woodruff (autor de “Reverence: Renewing a Forgotten Virtue”), mas neste momento nosso público moderno está endoutrinado em livros estilo “auto ajuda” que explicam uma coisa simples de múltiplos ângulos para que um robô ou idiota possa usar como uma ferramenta, e então é difícil para nossos filósofos de qualidade se expressarem. Eu também ouço coisas boas sobre John Gray. Eu acho Zizek problemático: alguém a meio caminho de uma verdade profunda, mas que a envolve em nuance como um exercício em marketing, e então se torna imensamente popular por flertar com a verdade mas no fim, afirma as mesmas velhas “soluções” que as plebes gostam, de qualquer forma. 

20 Quais pessoas são realmente conscientes e responsáveis?

A consciência é uma experiência, mas na minha mente a experiência da consciência está atrelada em ser um ser mortal vivendo uma vida complexa e tentando tomar decisões que sejam benéficas. Consciência significa descoberta, e descoberta requer ter algo para se opor para sibreviver, então a experiência da consciência é a experiência da mortalidade e luta. É uma experiência contextual, quer dizer que como na música como na música uma nota tocada em um momento é profunda mas quando tocada em outro momento é mundana, na vida o significado de qualquer experiência depende de onde aquela experiência se encontra na progressão do nascimento (ignorância) para a morte (depois da velhice, e uma compilação da sabedoria). A consciência não é como uma substância química refinada, ou uma multidão, onde cada átomo é praticamente o mesmo que qualquer outro.

A consciência é a habilidade de perceber uma série de momentos e reconhecer o que mudou entre eles, e até mesmo exercer a deliciosa facilidade da escolha, que é onde a consciência deixa de ser meramente uma percepção da realidade e começa a interagir com ela. Nós mudamos com o tempo, e então como Thomas Wolfe diria “nós não podemos voltar novamente,” ou como Siddharta diria nós não podemos entrar no mesmo rio duas vezes; isto é uma parte essencial da consciência, a excepcionalidade de cada momento baseada em onde ele está na narrativa de nossa vida. A mesma experiência na segunda e no domingo é uma experiência radicalmente diferente dentro da mente, mesmo que os eventos sejam os mesmos; similarmente, o que sabemos e estamos dispostos a tolerar ou desejar com 70 anos mostra que experimentamos os mesmos eventos que uma pessoa de 30 com uma experiência interna radicalmente diferente.

Há também a questão de grau e repetição; gastar um monte de dinheiro não tem muito impacto na consciência de um homem rico, mas ficar sem dinheiro o tempo todo tem um impacto menor na consciência de uma pessoa pobre, mas teria um enorme impacto na consciência de um homem rico. Contexto é a história em curso de um indivíduo e a adaptação dele ou dela ao mundo em que ele ou ela nasceu.

Consciência é a experiência da evolução da consciência, e a experiência da consciência é fazer o medo tornar os resultados daquela evolução importantes. Desconstrução é uma falácia liberal, e você pode ver isto mais claramente através da experiência da consciência: nenhum evento é independente do tempo na história em que ocorre, ou no tempo em nossas vidas quando o experimentamos, ou do que sabemos — a soma total de nossa experiência na existência — enquanto o abordamos.

Quem experimenta a consciência? Na minha experiência, quase todos menos uma pequena parte dos humanos essencialmente não possuem almas porque eles são incapazes de modificarem seus comportamentos para responderem a seu ambiente ou aprendizado; ao invés de olhar para o mundo, estudá-lo e modificarem a si mesmos para se encaixarem, eles supõe que seus eus são a parte imutável da equação, e agem do jeito que for conveniente psicologicamente e ignoram as consequências.

Tais pessoas têm uma falta de inteligência, apesar de poderem desempenhar papéis inteligentes (programar um computador, fazer equações financeiras, vender produtos para consumidores), e eles não possuem almas porque ter uma alma requer que entendamos que nossas vidas são curtas, que seremos forçados a tomar decisões, e que nossas decisões definem quem somos e não são arbitrárias. A maioria das pessoas quer considerar as decisões arbitrárias, e então ficam chateadas quando eu aponto que nem todas as decisões são iguais. Especificamente, é o que estamos dispostos a sacrificar e para o que estamos dispostos a sacrificar que determina quem somos.

Isso é o que é ter uma alma — aprender com a vida, e como parte de se adaptar a ela, tomar decisões difíceis que envolvem desistir de coisas que consideramos universalmente “boas”, como comida, sexo, sono, dinheiro, amor, etc. Mas nada é universal (até a declaração “nada é universal” não é universal, porque por sua negação da universalidade é uma declaração universal que nega universalidade) então parte de ter uma alma significa que temos que fazer escolhas difíceis e elas nos definem, não preferências simples como “Eu gosto de bacon!” ou “Eu quero fazer muito sexo e ficar bêbado sempre!”

Estas pessoas não são conscientes porque elas não conseguem balancear uma decisão e suas consequências em face de outra, e se modificarem para fazer o que faz mais sentido; elas agem a partir do hábito, como bactérias ou tardígrados, e não conseguem reprogramar suas próprias mentes para que cresçam. Estas são as pessoas que não experimentam a consciência.

21 Como você acha que funciona nossa percepção sensorial e dos pensamentos? Pode a consciência e sensibilidade ter surgido da matéria não consciente? Ou será que todas as pequenas partículas como átomos possuem consciência?

Consciência é a habilidade de tomar decisões e avaliá-las no contexto de usar a memória para representar o mundo. Coisas sem memória e sem habilidade para relembrar seu ambiente, conjenturar sobre ele, e responder a ele não são conscientes, em um sentido significativo, apesar de que eles parecem ser — insetos, bactérias, leveduras e hipsters todos respondem como se fossem conscientes mas parecem ser inteligências muito simples reagindo no tempo presente apenas.

Graus de consciência variam proporcionalmente à inteligência. Nos movendo para o alto na cadeia alimentar, nós vemos graus mais elevados de verdadeira “inteligência”, que é a habilidade de avaliar o desconhecido, fazer hipóteses, testar e repetir para entendê-lo para formar uma resposta consistente para as reações previsíveis do ambiente do organismo. Por exemplo, se você clicar em um botão e um hamburguer aparece, isso é uma consciência muito básica e um rato pode fazer isso; se você tem que achar algum tipo de “jogo” em algum lugar em seus arredores para achar um botão, alavanca ou corda para puxar para conseguir seu hamburguer, isso requer uma consciência mais complexa. Se você precisa inventar uma ferramenta para chegar ao botão, mais ainda.

A “pequena tela” é um trabalho de maravilhosa engenharia. Da mesma forma que criamos modelos mentais do mundo ao nosso redor, nós criamos modelos mentais de nós mesmos, e é assim que somos capazes de criar um “loop de feedback” que nos gera a consciência. Este é ao menos o aspecto material da consciência; no metafísico, faz mais sentido dizer que consciência não é uma propriedade do indivíduo porque ela ocorre em graus e requer uma interação com o mundo externo, o qual espelha a estrutura de nossas mentes, para ocorrer. Por esta razão, eu diria que nós a herdamos do universo como uma propriedade do cosmos, e que a sua suposição de que todas as coisas possuem consciência é razoável.

Computadores fornecem um modelo útil de consciência. De uns e zeros binários, em uma grade de decisões chegando aos bilhões, nós temos uma máquina que pode processar linguagem e fazer avaliações, apesar de que não independentemente como faz uma entidade verdadeiramente consciência incluindo muitos animais. Qual é a diferença? Os animais tem auto-consciência, e a máquina tem apenas consciência de estímulo. Logo haverá robôs que virão programados para se considerarem mortais, e para se modelarem em suas próprias mentes, e eles irão desenvolver traços de consciência como camundongos, ratos, cachorros, polvos e humanos. Novamente, no entanto, isto é consciência surgindo como uma propriedade imanente do universo.

Inevitavelmente, separação de objetos causais cria consciência. Um organismo ciente de que é independente de seu mundo irá ser forçado a se avaliar como um ator, e então chegar à consciência; em sua própria mente, uma falta de uniformidade em seus circuitos irá encorajá-los a reagir um ao outro, formando a base para o pensamento que é baseado em estímulo interno e não em estímulo interno como o de uma máquina. Muito como em nosso universo não há verdade inerente, porque isso iria requerer visão divina e/ou uma habilidade de “ser” os mecanismos internos do universo, a separação de nós mesmos do universo e a separação de nossos pensamentos internamente da narrativa do ego permite a nós sermos conscientes.

Consciência é a habilidade de avaliar escolhas com percepção do eu nelas; consciência é difícil portanto de separar da mortalidade.

22 Você ainda é um nihilista?

Bastante. Nihilismo é a idéia de que não há valor inerente no universo, e já que valor é uma criação de mentes conscientes (especificamente, para que elas possam codificar em símbolos e ter consenso entre outras mentes conscientes), nihilismo é o único ponto de partida filosoficamente correto. No entanto, eu aprendi que o nihilismo falha se se torna reducionismo, porque há tanto mais para experienciar, e o único “valor” que eu preciso é o valor de sua relevância para a minha consciência em crescimento, e sua relação com a realidade última, ou a evolução fisicalidade-convergente de um universo emergindo da interação de suas partes discrepantes.

Nihilismo rejeita projeção humana, ou a idéia de que podemos pegar nossos sentimentos internos e achar aspectos da realidade inteira para usar para justificá-los, então dizendo que eles são parte de uma ordem maior que a natureza e devem ser obedecidos. A Natureza e o cosmos são a única ordem legítima, e minha moralidade é adaptativa, significa que eu valorizo aquilo que adapta à realidade. Eu não me importo com absolutos morais, universais, desconstrução e representações da realidade fingindo ser a própria realidade. Eu sei que eu não irei encontrar valores inerentes, não posso comunicar algumas coisas através de símbolos e não preciso porque tais coisas são melhor comunicadas por experiências compartilhadas ou a representação delas (ficção), e que a maioria das pessoas são zumbis inúteis que irão destruir tudo o que tocarem.

Eu estou preparado para a idéia de que não há Deus, sem vida após a morte; ao mesmo tempo, eu acho bobo pensar que não exista uma consciência como mente no universo, mas um tipo de execução “inconsciente” (sem personalidade/sem consciência de si) como máquina. Eu me distancio de nihilistas infantis que são basicamente anarquistas fatalistas, que querem acreditar que porque não há valor inerente, nós não deveríamos ter valores ou preferências e deveríamos mesmo era comprar logo uma pizza pra eles. Nihilismo é um portal para fora da mente humana, a qual gosta de pensar que suas próprias convenções são na verdade valores inerentes do universo.

Liberdade é uma palavra muito usada, mas a maior liberdade que pode existir é independência de ilusões desnecessárias e irrelevantes, começando com aquelas que dizem que o eu humano é mais importante do que o cosmos. Não é. Nós somos insetos numa pedra, e assim como as bactérias acabaram evoluindo em toda a vida na terra, nós estamos começando uma grande jornada que se nós não estragarmos poderia acabar sendo uma bem impressionante. Mas não há nada inerentemente sagrado sobre a vida humana, ou qualquer valor inerente para o universo.

Nós devemos criar isso para nós mesmos, e nós somos os únicos que poderão decidir nosso próprio destino, e depois de muita meditação, eu penso que esta é a melhor e mais simples possível forma na qual a vida poderia existir, e então, sou agradecido por ela.

cheers

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