O que é Pós-Modernismo?

por Charles Upton, do livro “The System Of Antichrist”, Sophia Perennis

 Os tempos em que vivemos foram chamados de “pós-modernos”. O que exatamente isto significa? O que possivelmente poderia vir depois de estar “atualizado”? E se algo realmente pode vir depois, como possivelmente poderemos ser contemporâneos com isso? “Pós-moderno” significa “após a história”? Poderia ele, talvez, ter algo a ver com “o fim do tempo”?

    Pós-modernismo, ou pós-modernidade, é um nome para a qualidade geral de nosso tempo. Mas também se refere a certas tendências na filosofia, arte e crítica literária. A seguinte é uma curta análise da filosofia pós-moderna; (…) De acordo com Huston Smith em Beyond the Post-Modern Mind, o “modernismo” foi (e é) baseado na crença que “(a) nada que não possua um componente material existe, e (b) no que existe o componente físico tem a decisão final”. Então modernismo é essencialmente naturalismo, ou materialismo. Este naturalismo assumiu o comando, começando com o Renascimento e acelerando durante a revolução científica do século XVII, enquanto a metafísica e a religião revelada começaram a ser marginalizadas. A visão de mundo unificada apresentada pelos teólogos foi substituída por uma nova unidade – ou talvez uma nova crença de que a unidade poderia finalmente ser alcançada – baseada nos estudos da natureza e história humana. Quanto mais fatos descobríssemos nestas áreas, mais material estaria disponível para a construção do Grande Projeto.

    Mas de acordo com o pós-modernismo, não há Grande Projeto. A verdade é plural, e em última análise subjetiva. A realidade é apenas como está configurada: por um dado período histórico, ou sociedade, ou linguagem, ou indivíduo. Não há nada lá fora a não ser uma massa de potencial caótico esperando para ser puxado para alguma forma arbitrária. Huston Smith nomeia Kant, Kierkegaard, Nietzsche, Heidegger, Wittgenstein, e o desconstrucionista Jacques Derrida como os arquitetos, tendo intenção disto ou não, do movimento, que começou a dominar o modernismo, ao menos em sociedades Ocidentais, na primeira metade do século XX.

    Kant ensinava que o ser humano nunca pode experimentar a Verdade transcendente, ou a realidade objetiva (noumenon) de nada, mas apenas o mundo dos fenômenos como apresentados para nós pelos nossos fixos e inatos padrões de percepção. E Nietzsche, com sua “morte de Deus”, anunciou o fim da metafísica, um terrível mas historicamente inevitável desenvolvimento, enquanto fez tudo o que pôde para avançá-lo atacando o Cristianismo e substituindo a noção metafísica de princípios eternos imutáveis na mente de Deus pela doutrina Estóica do retorno circular sem fim de todas as coisas. (O que pode ser mais nihilista do que trabalhar por um resultado que você acredita ser terrível simplesmente porque você pensa que é inevitável?) De acordo com o Prof. Smith, Kierkegaard também desempenhou um papel através de sua noção de que a verdade objetiva desumaniza. Esta crença é mantida hoje por milhões de pessoas, que no entanto a aplicam não apenas à filosofia Hegeliana como Kierkegaard fez, mas à ciência. Então veio Heidegger, que disse que não há verdade objetiva além do que um período histórico em particular define como real; Wittgenstein, que mantinha que não há verdade objetiva além daquela definida pelas culturas e mediada pela linguagem; e Derrida, que diz que qualquer tentativa de definir uma verdade objetiva deve necessariamente excluir, e portanto marginalizar, e portanto oprimir outras possíveis versões do que é verdadeiro. Diversidade cultural e filosófica deve ser celebrada porque a unidade tiraniza. Acreditar que uma sociedade, ou uma linguagem, ou um texto, possui alguma estrutura inerente é opressivo. Conseqüentemente qualquer um que pense que ele ou ela entendeu o sentido real de um texto, incluindo a pessoa que o escreveu, está iludido – exceto por Derrida e os desconstrucionistas, aparentemente. (…)

    Aqui está o pós-modernismo de forma resumida: (1) Não há verdade objetiva, portanto, (2) a realidade não é percebida mas construída, por padrões de percepção inatos, ou pela história, ou pela sociedade e linguagem, ou pelo indivíduo, portanto (3) todas as tentativas de criar visões de mundo compreensivas que transcendem a história, sociedade ou até mesmo (principalmente) o indivíduo são opressivas, portanto (4) todas essas visões de mundo arbitrariamente construídas deveriam ser desconstruídas para celebrar a diversidade e preservar os direitos de construções de realidade minoritárias e marginalizadas (as quais, obviamente, já que elas também são construções, devem também ser desconstruídas; lá se vai a preservação dos direitos das minorias). Então o pós-modernismo termina no desconstrucionismo, e o desconstrucionismo termina (ou com sorte terminará) na desconstrução do desconstrucionismo: se a visão construída da maioria oprime as minorias, também as visões das minorias oprimem indivíduos… e visões individuais (por que não?) oprimem as visões das subpersonalidades dentro de um indivíduo, assim como essas subpersonalidades oprimem a experiência de alguns segundos de consciência, etc., etc. Alguém não reconheceu aqui a familiar qualidade de nossa vida diária, a pulverização progressiva da realidade? É como se os desconstrucionistas fossem criaturas totais da mídia eletrônica, pessoas que consideram um crime possuir a capacidade de concentração porque isso iria impor forma opressiva sobre a “pura” experiência; ao menos essa é a fase terminal para onde eles parecem estar indo. Se os levarmos a sério, teremos que concluir que para existir devemos oprimir e ser oprimidos? Que o fim da opressão deve ser o fim da existência? Que a meta final do nihilismo pós-moderno é e deve ser a aniquilação? Talvez a palavra “pós-modernismo” realmente se refere ao término da história, o fim do tempo. Obviamente, é uma casa construída sobre areia.

    Modernismo e pós-modernismo são inteiramente capazes de trabalharem juntos na mente contemporânea, e até na mente de um único indivíduo, para neutralizar a visão tradicional ou metafísica da realidade. Para pegar apenas um exemplo, se eu aponto para tal indivíduo que certas modas sociais se encaixam na definição tradicional de demonismo precisamente, e possuem conseqüências que ninguém em sã consciência iria querer sofrer, seu lado pós-moderno caótico irá validar essas modas como parte da universal “celebração da diversidade”, enquanto seu lado materialista moderno irá negar que algo como o demonismo possa existir. Fazendo isto, ele obviamente negou parte da diversidade que ele acabou de validar; mas porque estes dois lados de sua consciência nunca se encontram, as contradições entre eles não são “nenhum problema”, e continuaria não sendo “nenhum problema” até mesmo se se encontrassem, já que o pós-modernismo vê a inconsistência como uma forma de “riqueza”, e consistência, até mesmo consistência lógica, como uma forma de opressão. Aqui podemos ver como o pós-modernismo é realmente a visão dominante, da qual a modernidade se tornou apenas uma subordinada, mais um item solto no espectro de “diversidade” pós-moderna. A celebração pós-modernista e a negação moderna agem juntas para apoiar ao invés de opor as tendências em questão – tendências que o mesmo indivíduo, com ainda mais uma faceta solta de sua consciência fragmentada, pode sinceramente deplorar.

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