Yoga Respiratório

do livro “Trabajos Parapsicologicos Infalibles”, Jose Maria Herrou Aragon

1.Em que consiste

                O yoga respiratório consiste na utilização consciente da respiração para alcançar a liberação espiritual. Este yoga se complementa efetivamente com o yoga sexual.

                Utilizando especiais exercícios respiratórios, denominados pranayama, é possível atrair e acumular as energias do universo, as que logo se utilizarão no desenvolvimento espiritual. Esta energia à qual nos referimos é o prana, princípio universal que interpenetra tudo o que existe. Prana é a energia cósmica sutil sem a qual não seria possível a vida. Os seres vivos obtemos da bebida, comida e sobretudo do ar que respiramos, apenas a quantidade de prana indispensável para a vida. Com a comida e bebida obtemos formas mais grosseiras de prana, e através da respiração normal obtemos as maiores quantidades, mas sempre o necessário para nossa vida orgânica.

                A fim de obter o desenvolvimento da mente e o desenvolvimento espiritual, é imprescindível absorver quantidades anormalmente maiores de prana, que serão acumuladas no corpo e sobretudo no cérebro. Isto pode-se conseguir somente através de exercícios de controle consciente da respiração, os quais nos permitirão controlar e dirigir o prana à vontade. O prana é uma energia sutil que responde facilmente ao pensamento e à vontade humanas, igual às energias sexuais.

                Assim como no caso do yoga sexual nos ocupamos da retenção e controle das energias seminais do homem, neste yoga nos ocuparemos da retenção e controle das energias do universo. Ambos yogas se complementam e devem operar conjuntamente. Através dos exercícios de respiração, consciente e rítmica, se podem obter e acumular quantidade anormalmente grandes de prana, e de uma qualidade infinitamente superior, mais delicado e sutil.

                As práticas respiratórias do pranayama podem complementar-se com os asanas ou posturas yoguicas, as que formam o Hatha Yoga. Nestes exercícios físicos, todo movimento do corpo é detido. As práticas do Hatha Yoga, exercícios físicos e respiratórios especiais, liberam as articulações e as raízes dos nervos permitindo uma melhor circulação do prana. Além disso, estas práticas limpam os nadis, canais sutis do corpo por onde o prana circula.

2. Como fazer

a. Preliminares

                As práticas do yoga respiratório é conveniente efetuar-las depois de uns dias de praticar a abstinência orgástica. Ambos yogas estão interrelacionados e dificilmente nos serão de utilidade os exercícios respiratórios se carecemos de energia sexual acumulada no cérebro, conseguida através do que descrevemos no capítulo sobre yoga sexual. Ambos yogas se complementam, pois para quem controla o sexo o controle da respiração é um jogo de crianças.  Da mesma forma, o controle respiratório provocará posteriormente um maior controle dos desejos e energias sexuais. É comum observar que uma pessoa sob abstinência orgástica pode facilmente deter sua respiração por espaço de vários minutos, sem nenhuma dificuldade. Não aconselhamos tal demonstração de controle respiratório, só lembramos isto para exemplificar até que ponto os exercícios sexuais e respiratórios estão relacionados.

                Todos os exercícios respiratórios que descreveremos a seguir deverão se realizar pelo nariz, menos o de esvaziamento total dos pulmões. Tanto a inspiração de ar quanto a exalação se efetuam sempre pelo nariz. Mesmo assim, é aconselhável realizar estas práticas preferencialmente com o estômago vazio.

                Todos estes exercícios deve se realizar em princípio por um lapso diário de dez minutos aproximadamente, para logo ir nos extendendo a lapsos maiores. Já cheguei a efetuar minhas práticas respiratórias durante oito horas diárias aproximadamente, não como um dever mas como algo sumamente agradável que era difícil de ficar sem. Inclusive já cheguei a realizar minhas práticas respiratórias durante o sono, involuntaria e inadvertidamente. Muitas vezes, ao despertar, descubro estar respirando de acordo com a norma do yoga respiratório. Cada praticante deverá descubrir seu próprio ritmo de exercícios, pois sempre resultam sumamente benéficos não importando a duração.

                Estes exercícios devemos efetuá-los sem obrigação, e sempre que nos lembremos de fazê-lo. Durante a abstinência orgástica são sumamente prazerosos e necessários, e será difícil ficar sem eles. Todos estes exercícios podem ser executados indistintamente de pé, encostados ou sentados, e com olhos abertos ou fechados, mas preferencialmente com a coluna vertebral reta e levantada, cuidando de encher completamente os pulmões de ar durante cada inalação. Os que praticam o Hatha Yoga podem efetuar estes exercícios durante os asanas.

                Como advertência, as pessoas que sofrem de alta pressão sanguínea, assim como de afetações pulmonares ou cardíacas, deverão consultar um médico antes de realizar estes exercícios.

b. Aquietamento e retenção

                O primeiro passo é o do aquietamento da respiração. Para efetuá-lo, devemos prolongar o tempo da inspiração do ar, o da retenção e o da exalação. Desta forma reduziremos a quantidade de respirações por minuto. Em outras palavras, devemos respirar o mais lentamente possível.

                Podemos com o tempo chegar a respirar umas seis vezes por minuto e em casos extremos três vezes e até uma, mas respirar de forma mas lenta que o habitual já é benéfico. Cada um deverá encontrar por si mesmo seu próprio ritmo respiratório e logo as práticas o levarão por elas mesmas a maiores sucessos.

                Como exemplo de ritmos respiratórios, baseados em quantidade de pulsações do coração, daremos os seguintes:

. para inspiração do ar: tempo que corresponde a quatro batidas do coração

.para retenção do ar: tempo que corresponde a dezesseis batidas do coração

.para exalação do ar: tempo que corresponde a oito batidas do coração

                Outro exercício poderia consistir em lapsos de oito, trinta e dois e dezesseis batidas respectivamente, muito mais ambicioso do que o anterior.

                Do tempo entre a exalação e inspiração do ar não dissemos nada porque não é importante. Uma vez esvaziados os pulmões recomeçamos de imediato o preenchimento novamente, sem necessidade de prolongar o tempo em que estamos vazios de ar. Os três passos fundamentais de nossas práticas são sempre os três que descrevemos: a inspiração, a retenção e a exalação. Estes três passos recebem também os nomes de puraka, khumbhaka e rechaka, respectivamente.

                Destes três passos respiratórios o mais importante é o khumbhaka ou retenção do alento. O khumbhaka nos exercícios respiratórios é o equivalente da retenção seminal nas práticas de yoga sexual. Em nossos exercícios respiratórios podemos dedicar ao khumbhaka um lapso de vinte segundos, ou quarenta, ou mais. O khumbhaka constitui o segundo segredo do poder mágico, pois o primeiro já vimos que é a retenção seminal. Ainda que todas as técnicas parapsicológicas que descrevemos até agora funcionam perfeitamente com a capacidade parapsicológica que possui a mente humana normal, as práticas de abstinência orgástica e respiratória aumentam extraordinariamente sua eficácia. Sempre é bom dez ou mais minutos de prática de aquietamento e de khumbhaka antes de aplicar nossas técnicas parapsicológicas, as que também podem ser aplicadas durante o khumbhaka. Para quem pratica a retenção seminal, a suspensão do alento será sumamente fácil.

                Estes exercícios de aquietamento da respiração são tão intensos que é frequente acalorar-se e transpirar durante sua execução. Se isto ocorrer não devemos preocupar-nos, pois é um fenômeno inteiramente normal.

c. Aplicações

                A prática do esvaziamento total do ar dos pulmões tem efeitos exclusivamente purificatórios. Para fazer isso, depois de exalar totalmente o ar pelo nariz devemos exalar o último resto de ar pela boca. Este último resto nos é impossível exalar pelo nariz. É fácil de comprovar que quando não é possível exalar mais ar pelo nariz, sempre nos será possível exalar um resto mais pela boca. De esta forma nossos pulmões ficam absolutamente vazios de ar: Imediatamente depois procederemos a enchê-los de novo lentamente pelo nariz. Este exercício pode realizar-se uma, duas ou três vezes por dia, durante um lapso não maior de dez minutos cada um.

                Outra aplicação do aquietamento respiratório e do khumbhaka é a da obtenção e acumulação do prana. Para consegui-lo, devemos provocar a atração e incorporação do prana visualizando-lo penetrando por nosso nariz enquanto inalamos o ar. Logo o visualizaremos acumulando-se e extendendo-se no interior de nosso corpo, durante o khumbhaka ou retenção do ar.

                Com cada exalação do ar podemos visualizar a concentração ou acumulação do prana em nosso cérebro, se assim o desejamos. Com cada exalação podemos visualizar pelo contrário a saída por nosso nariz de impurezas e toxinas de nosso corpo. Cada praticante poderá eleger livremente qual deestas duas últimas visualizações prefere efetuar durante a exalação do ar. O prana pode ser visualizado em forma de luz o névoa luminosa, ou como pequenas luzes ou chispas no ar, ou como nuvens de luz, etc. O prana é algo tão tênue que com grande facilidade obdecerá à nossa vontade e visualizações, tal como no caso do yoga sexual sucede com as emanações sexuais.

                Outra prática consiste na utilização do yoga respiratório para facilitar a elevação das energias sexuais e sua acumulação no cérebro. Para isso faremos assim

                a. Com cada inalação de ar visualizaremos nossas emanações seminais ascendendo através do canal central da coluna vertebral, desde a zona genital onde se originam, até acumular-se em nosso cérebro.

                b. Durante a retenção de ar ou khumbhaka, efetuaremos a mesma visualização várias vezes.

                c. Durante a exalção visualizaremos o mesmo que em cada inalação

                Este exercício pode ser realizado também por casal, durante o ato de maithuna. Neste caso, ambos participantes devem unir suas respirações, executando ambos ao mesmo tempo cada inalação, retenção e exalação de ar, enquanto visualizam em cada caso a ascenção de suas emanações seminais. Durante o maithuna ou não, em caso de perigo de orgasmo pode recorrer-se à retenção ou suspensão do alento a fim de apoiar a retenção e imobilidade do sêmen, pois já vimos que sexo e respiração estão relacionados. As combinações destas práticas podem se extender muito mais e cada um pode experimentar com elas segundo o alcance de sua imaginação.

                As pessoas que praticam Hatha Yoga, podem executar o maithuna durante os asanas, pois estas posturas complementam os exercícios sexuais e respiratórios. Desta forma, a retenção do sêmen e do alento se agrega à suspensão de todo movimento físico. Estes asanas serão empregados como posturas sexuais para o maithuna, suas variações são inumeráveis.

                À abstinência orgástica, respiratória e de movimentos, devemos agregar também a abstinência alimentícia, de jejuns periódicos e baixas calorias, ingerindo somente frutas, vegetais e água abundante.

d. Respiração fetal

                Também chamada respiração embrionária, interior, espiritual, imortal, etc., a respiração fetal imita a respiração do feto no ventre materno e é o objetivo supremo do yoga respiratório. Nela, a inalação e a exalação do ar estão unidas.

                Cada um de nós deverá encontrar o caminho até a restauração da respiração fetal por si mesmo. Insistindo nas práticas yoguicas descritas não lhe será difícil.

3. Benefícios que produz

                Em um nível físico, os exercícios respiratórios de aquietamento e retenção de ar, tanto como a acumulação de prana, produzem enormes benefícios para a saúde. A maior oxigenação do sangue produzida pelo khumbhaka elimina toxinas, mata vírus e bactérias, queima gorduras e açúcares e purifica enormemente o organismo todo.

                Tudo isto nos dota de saúde perfeita, rejuvenescimento e longevidade. Ativa além disso nossas glândulas e nossa imunidade diante das enfermidades. Nos permite uma maior resistência à fome e à sede, ao frio e ao calor.

                Em um nível psicológico, os exercícios do yoga respiratório nos brindam com uma maior vontade e expandem nossa consciência. A respiração consciente facilita nossa “consciência de si” em todo momento. Também fazem passar o tempo muito mais lentamente e nos dá poder total sobre nosso corpo e nossa psique. A concentração do ar, somada à concentração do sêmen, produz de forma direta a concentração mental. Através do controle e aquietamento da respiração se produz o controle e aquietamento das paixões e desejos. O khumbhaka e o prana queimam as impurezas de nossa mente, outorgando-nos grande equilíbrio psíquico. O aquietamento respiratório elimina a insônia e provoca rapidamente o sono.

                No nível parapsicológico, as práticas do yoga respiratório produzem enormes câmbios, pois aumenta o poder mágico da mente e outorga os siddhis ou poderes (sobretudo o siddhi da obtenção de todos os desejos). O aquietamento respiratório e o khumbhaka fortalecem e purificam o corpo astral e produzem a “consciência de si” durante o sono, ou seja os sonhos lúcidos e viagens astrais, sobretudo se praticamos antes de dormir ou depois do primeiro sono. O fortalecimento do corpo astral influencia ainda na autodefesa psíquica. Favorece também a construção e manipulação de imagens mentais, que se tornam totalmente nítidas e acessíveis.

                Com estas técnicas se pode estar horas visualizando sem experimentar nenhum aborrecimento ou cansaço. É fácil de se comprovar o efeito imenso que tem o khumbhaka sobre nossa capacidade parapsicológica, aplicando a influência sexual ou o ataque psíquico direto antes e depois do khumbhaka. Se a pessoa influída se encontra ao alcance de nossa vista, comprovaremos que durante ou depois do khumbhaka é mais fácil e efetiva nossa influência.

                O calor interior ou tumo, que alguns adeptos produzem no interior de seus corpos através do prana, khumbhaka e visualizações, apoiadas sempre pelo yoga sexual, lhes permite meditar nus nas geladas alturas dos Himalaias. Neste estado podem derreter o gelo e evaporar a água gelada que pedem que seja jogada em seus corpos, assim como secar roupa molhada se se cobrem com elas.

                No plano espiritual, onde nos desdobramos e aproximamos de nosso espírito, o yoga respiratório tem uma importância decisiva. Este yoga apóia e complementa de forma total o yoga sexual, não podendo um existir nem gerar benefícios sem o outro. Tanto os exercícios de aquietamento respiratório e retenção do alento, como o prana e as emanações seminais acumuladas no cérebro, são os responsáveis diretos da queima do karma e da suspensão do Tempo e da Morte. Através dos yogas sexual e respiratório nos afastamos de nossa natureza animal que aprisiona a nosso espírito.

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