A Verdadeira Revolução

(fonte: http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=79&vis=)

Por Victor Emanuel Vilela Barbuy
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira

(a Frente Integralista Brasileira não possui nenhuma ligação com este site ou com American Nihilist Underground Society, quem afirmar o contrário está sendo desonesto pois este aviso está aqui para esclarecer esse fato / este site não apóia todas as idéias de American Nihilist Underground Society / este site abomina a morte de inocentes e o terrorismo)

Plínio Salgado, mestre do pensamento tradicionalista, patriótico e nacionalista brasileiro e criador do grande Movimento de Ressurreição Nacional que é o Integralismo, escreve, no prefácio da primeira edição de sua obra Psicologia da Revolução, que o Homem tem o direito de intervir na marcha da História e quando uma Sociedade está se dissolvendo e um País está na iminência de se desagregar esta intervenção se impõe como um dever [1].

Ora, estando nossa Sociedade inegavelmente à beira da dissolução, consumida pelo materialismo, pelo hedonismo e, enfim, pelo espírito burguês, e estando nosso País, do mesmo modo, a pique de se desagregar, temos o dever inelutável de interferir na marcha da História, restaurando o Primado do Espírito e reconduzindo a Nação às bases morais de sua formação, como sempre defendeu o assinalado pensador e Homem de ação patrício.

A verdadeira Revolução é uma mudança de atitude em face da realidade e dos problemas, que implica na revolta contra a inautenticidade do Mundo Moderno e na recondução do Homem e da Sociedade, nos planos moral e ético, a seu ponto de partida, que está no Mundo da Tradição, o qual não é senão o Mundo regido por princípios que transcendem os sós elementos puramente humanos. Em uma palavra, a Revolução autêntica consiste na restauração do Homem Tradicional e na recondução da Sociedade à sua Tradição Integral.

Neste mesmo diapasão, pondera Hilaire Belloc, no primeiro capítulo de Danton, que a Revolução é “a reversão para o normal – um repentino e violento retorno às condições que constituem as bases necessárias para a saúde de qualquer comunidade política” [2].

Ainda em tal sentido, preleciona João Ameal, em No limiar da Idade-Nova, que “a verdadeira revolução – a única – só poderá ser aquela que (de acordo com o sentido rigoroso do termo), represente a volta ao ponto de partida, restitua o homem ao seu princípio” [3].

Poderíamos citar dezenas de outros notáveis Homens de Pensamento e de Ação d’aquém e d’além mar cuja opinião a respeito da verdadeira Revolução vai ao encontro da nossa. Citaremos, porém, tão somente mais dois: Corneliu Zelea Codreanu, líder máximo e principal doutrinador do Movimento Legionário da Romênia, e o filósofo russo Nikolai Berdiaeff. O primeiro aduz que “o homem novo e a nação renovada pressupõem uma grande revolução espiritual de todo o povo, isto é, uma mudança da orientação espiritual moderna, e uma ofensiva categórica contra essa orientação” [4]. Já o segundo, em sua obra Uma nova Idade Média, assim proclama:

“O mundo moderno atravessa uma gigantesca revolução, não uma revolução comunista que, no fundo, é o que há de mais reacionário, pois que representa o apodrecimento dos elementos decompostos do velho mundo, mas uma verdadeira revolução do espírito. O apelo a uma nova Idade Média, hoje, não é mais que o apelo a esta revolução do espírito, a uma renovação total da consciência” [5].

Isto posto, julgamos oportuno transcrever o trecho de nosso artigo a respeito de Julius Evola e o “Tradicionalismo Integral” em que tratamos a respeito do conceito de Revolução:

“Havendo qualificado como revolucionário o pensamento de Evola, julgamos necessário destacar que pelo termo Revolução compreendemos a revolta contra um estado de coisas que traz a ideia de retorno, correspondendo à tradicional concepção astronômica da palavra, segundo a qual esta significa o retorno de um astro ao ponto de partida e o seu moto ordenado em torno de um centro. Este é o sentido que o próprio Evola considera o mais apropriado para tal palavra [6] e é, também, o sentido que preferimos, seguindo o exemplo de João Ameal [7], ilustre pensador tradicionalista e historiador português, e de Plínio Salgado[8], máximo expoente do pensamento tradicionalista no Brasil ao lado de José Pedro Galvão de Sousa, na abalizada opinião de Francisco Elías de Tejada y Spínola [9], mais importante pensador tradicionalista espanhol do século XX”[10].

Tendo consciência de tudo o quanto afirmamos, ressaltamos nossa discordância em face de todos os tradicionalistas que condenam in limine a palavra “Revolução”, muitas vezes chegando a demonizá-la.

Como preleciona Plínio Salgado em magistral artigo publicado em 1935 no jornal A Ofensiva, a “Revolução não é a masorca de soldados amotinados; não é rebelião de camponeses ou proletários; não é movimento armado de burguesias oligárquicas; não é movimento de tropas de governos provinciais; não é golpe de militares; não é a conspirata dos partidos, não é guerra civil generalizada. Revolução é movimento de cultura e de espírito. Transforma-se uma cultura, assume-se nova atitude espiritual, como consequência, abala-se até aos alicerces os velhos costumes, destruindo tudo, para construir de novo, porque destruir apenas não é Revolução”[11].

Para Plínio Salgado, a Revolução deve ter “as energias sagradas do próprio Espírito da Pátria em rebeldia, em agressividade contra uma civilização que criou a luta de classes, que desorganizou as bases morais das nacionalidades e que nos amarrou, durante cem anos [hoje quase duzentos], como escravos miseráveis, aos pés da mesa onde o capitalismo internacional se banqueteia, surdo ao gemido dos povos”[12].

A verdadeira Revolução não é aquele processo de dessacralização e de destradicionalização da Sociedade iniciado com o denominado Renascimento e a chamada Reforma e reforçado pelas revoluções burguesas de Inglaterra e França e pela revolução “proletária” de 1917, na Rússia, bem como pelos movimentos surgidos após o maio de 1968 em Paris. A verdadeira e necessária Revolução é, sim, a transmutação integral de valores no sentido de destruição dos princípios inautênticos do Mundo Moderno e de restauração dos princípios perenes e autênticos da Tradição.

A Revolução sem Tradição não passaria de veleidade estéril, não figurando entre os princípios de nossa Doutrina. Temos firme consciência de que, como sentencia Renan em momento de rara felicidade, “o erro mais deplorável é o de crer que se serve a pátria caluniando aqueles que a fundaram. Todos os séculos de uma nação são as folhas de um mesmo livro. Os verdadeiros homens de progresso são aqueles que têm por ponto de partida um respeito profundo pelo passado”[13]. No mesmo sentido, Arlindo Veiga dos Santos, criador e principal doutrinador do movimento patriótico, nacionalista e tradicionalista brasileiro conhecido como Patrianovismo e defensor da “verdadeira Revolução, REVOLUÇÃO DA ORDEM, contra os aspectos vários da república ‘moderna’” [14], “o Presente que nega o Passado não terá futuro” [15].

O objetivo máximo da Revolução é o de resgatar a grandeza do Homem e de conscientizá-lo de que Deus é seu princípio e fim último e de que o verdadeiro sentido da vida humana repousa na busca da santidade. Concordamos, pois, com Plínio Salgado, quando, nas imorredouras páginas de Primeiro, Cristo!, proclama a necessidade imperiosa de “salvação do Mundo pela santificação das almas”, afirmando que “não é digno de lutar pelo Cristo quem não erguer a bandeira da própria santificação” [16] .

O homem moderno transformou-se em um desenraizado, não tendo a mínima consciência de onde vem e para onde vai; transformou-se em uma peça de máquina para a qual Deus, a Pátria e a Família estão mortos ou são persistentes resíduos de uma época de ignorância e atraso; transformou-se em um ser inautêntico, crente em superstições tão absurdas quanto a do progresso ilimitado e da liberdade total e incapaz de ouvir a voz da Terra e dos Ancestrais. É este homem que precisa ser resgatado, retransformado em Homem temente a Deus e enraizado em uma Família, uma Pátria, uma Nação, uma Tradição. Em uma palavra, o homem moderno é, como afirma Chesterton, “um viajante que se perdeu na estrada” e que “tem de regressar ao ponto de partida, se quiser se lembrar de onde veio e para onde vai”[17].

Martin Heidegger observa, em entrevista à revista Der Spiegel, que “tudo o que é essencial e grande surgiu do fato de que o homem tinha uma pátria e estava radicado em uma tradição” [18]. E, no texto intitulado O caminho do campo, ondeevoca, saudoso, passagens da infância e mocidade em Messkirch, Suábia, o filósofo ressalta que o caminho do campo fala somente enquanto os Homens nascidos no ar que os rodeiam forem capazes de escutá-lo. É em vão que o Homem, por meio de planejamentos, busca instaurar uma ordenação no Mundo, se for incapaz de ouvir o chamado do caminho do campo. É perigoso que o homem de nossos tempos já não possa compreender a linguagem de tal caminho, posto que em seus ouvidos retumba o fragor das máquinas, que chega a tomar pela Divina Voz. Assim, o Homem se dispersa, se torna errante. O Simples passa a parecer uniforme e a uniformidade é entediante. O Simples se desvaneceu e sua silenciosa força se esgotou[19].

O número daqueles que ainda conhecem o Simples, o dom da Simplicidade, diminui velozmente. Mas os poucos que ainda o conhecem serão, como sustenta o autor de O ser e o tempo, “em toda a parte, os que permanecem. Graças ao tranquilo poder do caminho do campo, poderão sobreviver um dia às forças gigantescas da energia atômica, que o século e a sutileza do homem engendraram para com ela entravar sua própria obra” [20].

Como afirmamos, o objetivo principal da Revolução é o de devolver ao Homem a sua grandeza. Isto equivale a criar o Homem Novo, o Homem Integral, que, a nosso ver, nada mais seria do que o Homem Tradicional.

Isto posto, cumpre sublinhar que qualquer Ordem Nova será efêmera se não estiver radicada em um Novo Homem. Como diria Plínio Salgado, “de nada valem regimes, reformas constitucionais, medidas legais, planejamentos econômicos, financeiros, administrativos, se não pusermos, na base de tudo, as energias puras da Pátria, representadas pelo Homem Novo” [21]. Em uma palavra, para combater o mal da Sociedade, necessitamos primeiro combater o mal que há em nós mesmos [22], ou seja, antes de livrar o Mundo da civilização burguesa é mister que nos livremos do burguês que há em cada um de nós, tendo consciência de que o Homem que vence a si mesmo é imensamente mais heróico do que o guerreiro que vence a cem inimigos.

A Revolução Interior, que precede a Revolução das instituições, é uma Revolução antes de tudo moral, que consiste no triunfo do Espírito sobre a tirania da Matéria, razão pela qual também a denominamos Revolução do Espírito.

Como afirmamos há pouco, a Revolução visará, antes de mais nada, a restauração do Homem e se, como aduz João Ameal, o Homem se encontra desfigurado e destruído pelos diversos mitos dos últimos séculos, cumpre, antes de tudo, empreender a reconstrução do Homem [23], título, aliás, de uma das mais fecundas obras de Plínio Salgado [24].

Somente quando o Homem estiver plenamente restaurado é que será possível restaurar, em sua plenitude, a Filosofia Perene da Metafísica, a Doutrina do Direito Natural Tradicional, ou Clássico, a Economia Cristã e a Sociedade Orgânica, regida por um Estado consciente de que se constitui em um mero instrumento a serviço da Pessoa Humana e do Bem Comum, não podendo violentar aquela ou os Grupos Naturais componentes da Sociedade Integral. Tudo isto com a firme consciência de que o Estado, a Sociedade, o Trabalho e a Economia devem estar a serviço do Homem e não o contrário, como tem lamentavelmente ocorrido nestes tenebrosos tempos do Império de Calibã.

Encerramos estas tão singelas páginas com uma frase do genial compositor e pensador alemão Richard Wagner, mestre do Romantismo Alemão, que devemos fazer também nossa:

“A minha verdadeira missão é semear a revolução por onde quer que eu passe” [25].

 
NOTAS: 

[1] SALGADO, Plínio. Psicologia da Revolução. 6ª ed. In Idem. Obras Completas. 2ª ed., vol.7. São Paulo: Editora das Américas, 1957, p.9.
[2] BELLOC, Hilaire. Danton, a study. Cap. I. Disponível em: http://www.bostonleadershipbuilders.com/belloc/danton/chapter01.htm. Acesso em 22 de outubro de 2009.
[3] AMEAL, João. No limiar da Idade-Nova. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1934, p. 12.
[4] EVOLA, Julius. Introduzione. In GUÉNON, René. La crisi del Mondo Moderno. Trad. italiana e intr. de Julius Evola. Roma: Edizioni Mediteranee, 2003, p. 7.
[5] CODREANU, Corneliu Zelea. Manual del Jefe de la Guardia de Hierro.Trad. para o espanhol de Manuel de la Isla Paulin. 2ªed. Barcelona: Ediciones Ojeda, 2004, p. 93.
[5] BERDIAEFF, Nicolau. Uma nova Idade Média: reflexões sobre o destino da Rússia e da Europa. Trad. de Tasso da Silveira. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1936, p.103.
[6] EVOLA, Julius. Introduzione. In GUÉNON, René. La crisi del Mondo Moderno. Trad. italiana e intr. de Julius Evola. Roma: Edizioni Mediteranee, 2003, p.
[7] AMEAL, João. No limiar da Idade-Nova. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1934, pp. 12-14.
[8] Vide SALGADO, Plínio. Psicologia da Revolução. 6ª ed. In SALGADO, Plínio. Obras Completas. 2ª ed., vol. VII. São Paulo: Editora das Américas, 1957.
[9] TEJADA, Francisco Elías de. Plínio Salgado na Tradição do Brasil. In Diversos. Plínio Salgado – “In Memoriam”, vol. II. São Paulo: Voz do Oeste/Casa de Plínio Salgado, 1985/1986, p. 70.
[10] BARBUY, Victor Emanuel Vilela. Julius Evola e o “Tradicionalismo Integral”. Disponível em: http://cristianismopatriotismoenacionalismo.blogspot.com/2009/10/julius-evola-e-o-tradicionalismo.html. Acesso em 23 de outubro de 2009.
[11] SALGADO, Plínio. Revolução Integralista. In SALGADO, Plínio. O pensamento revolucionário de Plínio Salgado (antologia organizada por Augusta Garcia Rocha Dorea). 2ª ed. ampl.
São Paulo: Voz do Oeste, 1988, p. 255.

[12] Idem, p. 256.
[13] RENAN, Ernest. Souvenirs d’enfance et de jeunesse. Paris: Calmann-Lévy, Éditeurs, s/d, p. XXII.
[14] SANTOS, Arlindo Veiga dos. As raízes históricas do Patrianovismo. São Paulo: Pátria Nova, 1946, p. 18.
[15] Idem. Ideias que marcham no silêncio. São Paulo: Pátria-Nova, 1962, p. 76.
[16] SALGADO, Plínio. Primeiro, Cristo! 4ª ed. In SALGADO, Plínio. Obras completas. 2ª ed., vol VI. São Paulo: Editora das Américas, 1956, pp. 211-212.
[17] CHESTERTON, G. K. The New Jerusalem. Londres: Hodder & Stoughton, 1920, p. I.
[18] HEIDEGGER, Martin. Ormai solo un dio ci si può salvare: Intervista con lo “Spiegel”. Trad. italiana de A. Marini. Parma: Guanda, 1987, p. 135.
[19] Idem. O caminho do Campo. Trad. de Ernildo Stein e José Geraldo Nogueira Moutinho. In Cavalo Azul, n. 4, São Paulo, s/d, p. 5. Também disponível em http://caminhodocampo.blogspot.com/2008/03/o-caminho-do-campo-martin-heidegger.html. Último acesso em 23/10/2009.
[20] Idem, loc. cit.

[21] SALGADO, Plínio. Reconstrução do Homem. 2ª ed. Rio de Janeiro: Livraria Clássica Brasileira, s/d, p.184.
[22] Idem. Primeiro, Cristo! Op. cit., p. 212.
[23] AMEAL, João. Europa e seus fantasmas. Porto: Livraria Tavares Martins, 1945, p. 319.
[24] SALGADO, Plínio. Reconstrução do Homem. Op. cit.
[25] WAGNER, Richard, apud FONSECA, Carlos da. Introdução. In WAGNER, Richard. A arte e a revolução. Trad. portuguesa de José M. Justo. 2ª ed. Lisboa: Edições Antígona, 2000, p. 7.

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