O “Nada” após a vida: Tão incerto quanto vida após a morte

 por Frater Perdurabo

É do conhecimento de todos que certos indivíduos se consideram mais evoluídos do que outros por considerarem que após suas mortes, irão entrar em um tipo de vazio, nada, ou escuridão total sem qualquer tipo de consciência. Eu considero isso tão carente de evidências quanto a crença em alguma vida após a morte (vida aqui sendo considerada como uma consciência, não a vida biológica). Obviamente ninguém sabe o que ocorre após a morte e todas as crenças são apenas os palpites de cada um, este texto está aqui para acabar com a inverdade de que quem é racional e realista tem que acreditar que a morte é o fim de todo tipo de consciência.

Vamos analizar:

1. Quem afirma isso já morreu? Se não, como podem afirmar como é?

2. Se eles afirmam que é porque toda atividade cerebral irá terminar, então eles já experimentaram esse “nada” do qual falam? Se não, como eles podem afirmar que existe? Isso é tão especulativo quanto presumir a existência de um Deus. Ninguém que eu conheça ou tenha ouvido falar já experimentou esse nada. Há sempre alguma coisa em todo lugar. Isso contradiz as leis da física. Então de onde eles tiraram esse nada? Como podem afirmar que após a morte irá ser dessa maneira só porque não há mais atividade cerebral? Por acaso já foi provado que todo tipo de consciência está atrelada à atividade cerebral? Devemos então acreditar que as plantas, pedras, águas, fogo, todos existiram no mesmo estado de não-consciência idêntico ao da morte, e que de uma hora pra outra, com o surgimento do sistema nervoso, é que tudo surgiu da não-existência para a existência como a conhecemos? Ou seja, tudo existia, até o surgimento do sistema nervoso, no exato mesmo estado da morte (praticamente uma não-existência), que se alterou, saiu da não-consciência total, para o da consciência como conhecemos apenas com o aparecimento do sistema nervoso. Se não foi assim, então deve haver outro tipo de consciência além da cerebral, pois se não há possibilidade de nenhum tipo de consciência após a morte, sendo ela um vazio total devido à falta de atividade cerebral, então não há como ter existido, antes da atividade de um sistema nervoso, nada diferente do estado da morte.

3. Se eles disserem que de fato já experimentaram esse nada, e que foi o estado antes do nascimento, então como eles sabem como esse estado era, se eles nem mesmo eram nascidos? Se disserem que sabem como o nada era porque eles não eram nascidos, então eu posso saber como foi quando o primeiro ser humano fez fogo ou a roda, porque eu não era nascido naquela época também. Parece irrealista? Então por que a afirmação de que uma pessoa sabe como é o estado antes do nascimento dela é realista? Porque ela não pode se lembrar de nada antes do nascimento? Eu não posso me lembrar como era estar no útero, ou ter uma semana de idade. Isso significa que havia o vazio lá também? Por que o fato de que não há memória de antes do nosso nascimento é evidência para o nada antes e após a vida, se o fato de que não há memória das épocas mais antigas da vida não é?

Conclusão: Ninguém nunca viu esse “nada” ou estado de não consciência total, é um conceito criado por humanos com tanta evidência quanto deus ou o monstro do espaguete voador. Qualquer um que pense que é mais inteligente e corajoso por enfrentar o terrível abismo da extinção total da consciência que é a morte sem se “iludir” com pensamentos de qualquer tipo de consciência após a morte o faz a partir de sua própria imaginação.

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Uma Nota Acerca de Pós-Vida na Filosofia Esotérica de Ordem dos Nove Ângulos

 Apesar da filosofia e praxis da Ordem dos Nove Ângulos ter recentemente chegado à atenção de certos acadêmicos [1] um aspecto da ONA tem até agora passado quase despercebido, até entre alguns aficcionados da ONA. Isto é a assunção da ONA de uma pós-vida, nas dimensões acausais, e qual pós-vida é uma importante, para não dizer, crucial, parte de sua filosofia esotérica, sua filosofia do Caminho da Mão Esquerda [2].

De acordo com a ONA:

“…o próprio propósito e significado de nossas individuais, causais – mortais – vidas é progredir, evoluir, para o acausal, e que isto, por virtude da realidade do próprio acausal, significa e implica um novo tipo de sinistra existência, um novo tipo de ser, com esta existência acausal estando bem removida – e totalmente diferente de – qualquer e toda representação do Velho Aeon, ambas Ocultas, não-Ocultas e “religiosas”. Portanto é que nós vemos nossa evolução humana a longo prazo social e pessoal como um trazer-para-existência de um novo tipo de vida sinistra, no causal – neste planeta, e em outros lugares – e também como um meio para nós, como indivíduos de uma nova sinistra espécie causal, vivermos em ambos Universos causal e acausal, enquanto vivemos, como mortais, e transcender, após nossa mortal, causal “morte”, para viver como um ser acausal, qual ser acausal pode atualmente ser apreendido, e foi apreendido no passado, como um imortal ser sinistro de Escuridão primal.” Anton Long. A Quintessência da ONA: O Retorno Sinistro 119 Ano de Fayen

Esta nova, acausal, existência não é, no entanto, uma certeza, e nem é dada por alguma entidade ou algum tipo de ser, acausal ou não, seja essa entidade chamada Satã ou Baphomet, ou o que for. Em vez disso, esta pós-vida deve ser alcançada, pelo indivíduo, nesta mortal – isto é, esta causal – existência nossa, por feitos práticos realizados, com grande ênfase sendo colocada na natureza prática de tais feitos. De acordo com a ONA:

“…nós possuímos a habilidade – a maneira, os meios – de ganhar para nós mesmos mais energia acausal, de evoluir e portanto aumentar nossa própria energia acausal, e portanto de transcender para viver no continuum acausal……

Um segredo de nosso wyrd escuro-numinoso é que nossa mortal, causal, vida não é o fim, mas apenas um começo, e que se nós vivermos e morrermos da maneira correta, nós podemos possivelmente possuir para nós uma vida nos reinos do acausal. Nossa Lei do Sinistro-Numen é a mais prática maneira para nós fazermos isto, para alcançar isto, pois esta Lei é uma manifestação, uma presenciação, de energia acausal, e por viver de acordo com esta Lei nós estamos acessando, e presenciando dentro de nós, mais energia acausal, e portanto evoluindo e subindo nosso próprio tipo de energia acausal.” Um Breve Guia para a Filosofia Esotérica da Ordem dos Nove Ângulos. Datado 121 Ano de Fayen

Quanto à natureza desta nova existência acausal a qual membros das tribos ONA podem estar aptos a ganharem para si mesmos, a ONA diz que, atualmente, nós não possuímos nem a linguagem, nem as palavras, para descrevê-la adequadamente, apesar de que pode ser vislumbrada – podemos adquirir intimações dela – se nós, por exemplo, desenvolvermos nossa faculdade do que a chama empatia-acausal, e também se presenciarmos e viermos a ter algum conhecimento de (por Feitiçaria Escura), certas entidades acausais [3].

A Natureza Guerreiro Escuro da ONA

Esta pós-vida é, para a ONA, inseparavelmente ligada com a Lei do Sinistro-Numen da ONA e portanto com as tribos sinistras da ONA. De fato, pode-se com confiança declarar – como a própria ONA faz – que seu Caminho é fundamentalmente o Caminho do Guerreiro Escuro, do qual uma meta primária é lutar, de forma prática, para a criação de, e fundamentalmente em favor do, que a ONA chama de O Império Galáctico Escuro.

“Nossas mais fundamentais e de longo prazo metas práticas são de criar uma inteiramente nova, mais evoluída espécie humana, e para esta nova espécie humana explorar e colonizar os sistemas estelares de nossa própria, e de outras, Galáxias – para então criar um Império Galáctico Escuro.” Um Breve Guia para A Filosofia Esotérica da Ordem dos Nove Ângulos. Datado 121 Ano de Fayen

Para a ONA há um certo desprezo da morte:

“Então nós sabemos – então nós sentimos – que a morte em si é irrelevante, uma ilusão, um mero fim de uma mera existência causal, e que é o que nós fazemos com as oportunidades que isto, nossa vida causal, oferece e pode oferecer a nós, que é importante. Então nós não tememos a morte, e em vez disso a desafiamos, assim como procuramos desafiar nós mesmos – o que nós somos, agora – e assim como procuramos desafiar os mundanos e todas aquelas restrições causais, aquelas formas causais, que eles criaram para fazê-los sentir seguros, e assegurados e contentes com suas existências não-guerreiras meramente causais e portanto não-numinosas.” Anton Long, Guerreiros Escuros do Caminho Sinistro.

Na Lei do Sinistro-Numen da ONA é declarado que:

Para nós, nossa honra é mais importante que nossas próprias vidas, e é esta voluntariedade de viver e se necessário morrer por e por causa de nossa honra que nos faz fortes, temíveis, e nos capacita a viver a vida num nível mais elevado do que qualquer mundano. Pois é pela honra – pela nossa coragem, nosso desprezo de nossa morte causal – que nós chegamos a exultar na vida em si.

Este desafio da morte é o credo guerreiro, par excellence, e o que faz dele escuro, ou sinistro, é que tais guerreiros são de um tipo único, dedicados a sua própria tribo, e perseguindo não apenas suas próprias metas, mas os objetivos da própria ONA, da qual um dos objetivos declarados é:

 “…ajudar, encorajar, e trazer à tona – por meios ambos práticos e esotéricos (como subversão, revolução, e Feitiçaria Escura) – o colapso e queda das sociedades existents, e portanto substituir a tirania das nações e Estados, e seus governos impessoais, por nossas novas sociedades tribais e nossa Lei do Sinistro-Numen.”

De acordo com a ONA, se uma pessoa vive – e se necessário ou particularmente morre – de acordo com a Lei do Sinistro-Numen, elas estão aumentando sua própria soma de energia acausal, e portanto tornando maior o nexo que eles são, e podem ser, para o acausal. Então, por viver e se necessário morrer como um guerreiro, de acordo com a Lei do Sinistro-Numen, uma pessoa pode não apenas forjar para si mesma um novo tipo de nexo para os reinos do acausal, mas também padronizar, fortalecer, e controlar sua própria energia acausal (aquilo que os dá sua vida causal) de uma forma tal que eles evoluem, após suas mortes causais, para se tornar um tipo de ser inteiramente novo, além do humano.

Então, enquanto em considerações primárias tal pós-vida pode parecer de certa forma irracional e mística, ela é na verdade uma lógica e de fato necessária dedução surgindo dos axiomas fundamentais da filosofia esotérica da ONA.

Conclusão

Enquanto pode parecer de certa forma estranho que uma organização sinistra, do Caminho da Mão Esquerda conhecida como Satanista, deva falar e escrever de uma pós-vida, tal pós-vida – ou melhor, seu tipo único de pós-vida – é um tanto consistente com ambos sua filosofia esoteric, sua ontologia, e sua praxis. Pois sua filosofia é baseada no axioma de que existe um Universo acausal, um continuum acausal, e de existir, neste Universo acausal, seres acausais. Além disso, de acordo com a ONA, é energia acausal, do acausal, que anima nossa vida causal, incluindo a nossa.

Ademais, é talvez esta crença em tal pós-vida – alcançável ao que parece apenas por guerreiros escuros realizando atos guerreiros, e morrendo heroicamente perseguindo objetivos escuros – que não apenas distingue a ONA de todos os grupos esotéricos conhecidos, mas irá também facilitar a divulgação de ambos a própria ONA, e de sua filosofia esotérica subversiva.

Ter pessoas dispostas a morrer devido a sua crença em tal pós-vida [4], certamente torna a ONA bem mais sinistra do que a maioria das pessoas já considera que seja.

Richard Stirling
Janeiro 2010 EC

Notas de Rodapé:

(1) Ver, por exemplo, George Sieg: Angular Momentum – From Traditional to Progressive Satanism in the Order of Nine Angles, 2009 EC, e Jacob C. Senholt: The Sinister Tradition: Political Esotericism & the convergence of Radical Islam, Satanism and National Socialism in the Order of the Nine Angles, 2009 EC

(2) Para uma perspectiva desta filosofia, referir-se a A Brief Guide to The Esoteric Philosophy of The Order of Nine Angles. Datado 121 Ano de Fayen.

Para uma perspectiva da ONA e o Caminho da Mão Esquerda, referir-se a meu artigo The Left Hand Path – A Comparison Between The Order of Nine Angles and The Temple of Set, 2010 EC.

(3) E-mail privado de Anton Long (por membro da ONA DarkLogos) datado 7 de janeiro, 2010 EC.

(4) Em um documento produzido por uma seita “underground” da ONA (isto é, nexion) é declarado que:

Nós somos do e somos chamados para O Caminho Escuro porque nos identificamos com, e ansiamos por, os espaços acausais – os reinos acausais em si mesmos, quais são, para nós humanos, Escuros; além da iluminação que conhecemos de nossa estrela, o Sol, e além da iluminação artificial que fabricamos para iluminar nossa breve vida mortal neste planeta que chamamos de Terra. Nós somos Escuros, aqui, porque é onde podemos ir – para onde podemos transcender se vivermos e morrermos da maneira certa – onde nós somos a própria iluminação que vive lá; nós somos, nós nos tornamos, a própria luz que viaja, que atravessa, que vive – imortal – dentro da pura imaculada escuridão dos espaços acausais escuros. Nós nos tornamos estrelas acausais – Galáxias de estrelas – viajando onde queremos entre a escuridão infinita, trazendo à tona por nossa própria viagem, nossa própria existência lá, nova vida ambas causal e acausal e em ambos os reinos do espaço causal e do acausal. Portanto nós nos tornamos, portanto nós podemos, nos tornar daqueles Escuros Imortais – os Imortais dos reinos acausais escuros, e portanto podemos semear a escuridão de ambos causal e acausal com nossa luz vivente imortal, trazendo então, causando então, sendo-então, a evolução em si. Guerreiros do Caminho Escuro

Apesar de isto poder não ser, ou representar, política oficial da ONA – se de fato a ONA tem políticas oficiais – certamente parece capturar algo do espírito que pode motivar tais Guerreiros Escuros.

fonte: www.nineangles.info/afterlife-ona.html
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Caim, o Imortal

do livro “La Religion Prohibida”, http://lareligionprohibida.com

Todos conhecemos o que ocorreu depois da “queda” do homem, segundo o Gênesis. Adão e Eva foram expulsos do paraíso e tiveram filhos. Primeiro Caim e logo Abel. Todos sabem que “Deus não aceitava os sacrifícios que lhe dedicava Caim e sim aceitava os de Abel”. Então Caim, cheio de ciúmes, se lançou sobre seu irmão e o matou. Todos sabemos isso, sempre pensamos “que mau foi Caim”, “matou o irmão, que horrível”. Caim era mau e Abel era bom, essa é a interpretação que nos chega pelo judaísmo, pelo cristianismo e pelo islamismo. Inclusive Santo Agostinho, quando nos dá sua interpretação do mito de Caim e Abel, equipara Caim com os judeus e Abel com Cristo. Disse Santo Agostinho que os judeus mataram Cristo, assim como Caim matou Abel. Santo Agostinho, como a maioria, continua a tradição de que Abel era o bom e Caim era o mau.

Está muito claro na bíblia, Caim é castigado por Deus, é desterrado. Isto é visto como algo lógico e normal: Caim é mau e Abel é bom. A interpretação Gnóstica é totalmente diferente, como vamos ver agora.

Em primeiro lugar, a Gnose sustenta que Caim não foi filho de Adão, que Eva gerou seu primeiro filho, Caim, com a Serpente, com Lúcifer. A Serpente Lúcifer fecundou Eva com seu alento, sua força de vontade. Ou seja, Caim não foi um filho totalmente humano, nascido da carne. Teve algo Espiritual muito grande, porque seu pai era Lúcifer, proveniente do mundo incognoscível do Espírito.

Ao contrário, Abel foi filho de Adão e Eva, ou seja, Abel foi um filho da carne.

Temos agora uma primeira diferença entre ambos os irmãos: Caim é superior a Abel. Caim é filho do Espírito e da carne. Abel, somente da carne. Isso em primeiro lugar, agora temos que Caim não é alguém mau, é alguém superior, é alguém importante, muito mais que Abel.

Em segundo lugar, tanto Caim como Abel realizam sacrifícios ao deus criador para agradá-lo, ofertando-lhe coisas que agradam a ele. Caim sacrifica elementos vegetais e Abel, animais, como cordeiros. Segundo a bíblia, isto é o que mais agrada o criador: o sangue do animal morto e o odor de carne queimada do cadáver. O criador, diz a bíblia, gostava dos sacrifícios que lhe dedicava Abel e não os de Caim. Parecia que Caim não sentia muita vontade de agradar o criador, pois oferecia poucas sementes sem muita devoção, como se não estivesse realmente convencido da conveniência de realizar sacrifícios. Logicamente, os sacrifícios de Abel eram aceitos pelo criador e os de Caim não. Caim sentia repulsa aos sacrifícios dedicados ao criador, por sua origem, porque era filho de Lúcifer, porque possuía em seu interior a centelha divina do Anjo da Luz. Por isso não realizava bem os sacrifícios ao criador, repugnava-o fazê-lo, pois não pertencia a este mundo criado. Abel, em troca, que não era de natureza Espiritual e sim animal, realizava bem os sacrifícios, os que agradavam ao criador.

Uma antiga lenda nos relata o que Abel disse, certo momento, a seu irmão Caim: “Meu sacrifício, minha oferenda, foi aceita por Deus porque eu o amo; tua oferenda foi rejeitada porque o odeias.” Agora fica claro, como não odiar ao criador sendo um filho do Espírito, se sua natureza é Espiritual! Aqui fica bem claro. Todas estas lendas e mitos que rodeiam o gênesis nos dizem muitas coisas. Através delas, nos damos conta que muita informação nos tem sido tergiversada e ocultada. Também são muito interessantes outras palavras que Caim disse ao seu irmão. Em uma pequena frase está resumida toda a sua oposição. Estas palavras são chaves: “Não existe lei, nem juiz!” (Targumín Palestiniano, Gen., 4:8). Caim está negando a autoridade do deus criador e que deva render-lhe culto e obediência.

Posteriormente vemos que Caim assassina seu irmão Abel. Isto é algo muito profundo porque significa que o Espírito rejeita, destrói, assassina a alma. Abel, representado como puro amor e devoção na bíblia. Segundo aos Gnósticos representa a alma do homem. Caim, pelo contrário, é o representante do Espírito, por isso sua hostilidade e seu ódio. A hostilidade e o ódio próprios do Espírito, pois o Espírito realmente se irrita com este mundo impuro, contaminado de mandamentos injustos e absurdos. Por isso a resistência de Caim a realizar sacrifícios, por isso sua desobediência às ordens do criador. Caim e Abel são tão opostos e irreconhecíveis como são o Espírito e a alma.

A alma é amor puro, não Amor Verdadeiro, mas o que conhecemos como amor, o que cremos que é o amor, o que nos dizem que é o amor, na realidade é Ódio. O Espírito é o contrário, é percebido como ódio puro, hostilidade e vingança. Ao ter sido encadeado a esta criação satânica somente pode sentir hostilidade e ódio, do modo como percebem os homens ordinários. O Espírito, que é Amor Verdadeiro, somente pode sentir aversão e nojo ante esta asquerosidade. Por isso deseja destruí-la, porque para Ele a criação é uma monstruosidade deformada que não deveria ter existido nunca. Isto é o que simboliza o assassinato de Abel por seu irmão Caim.

Caim, com todos seus atos, se emancipou totalmente do criador e de seu próprio corpo e alma. Através de seus atos contra o deus criador e contra seu meio-irmão Abel, se emancipou de uma vez e para sempre do deus inferior e de sua criação impura e defeituosa. Com seus atos se transformou em um opositor, em um inimigo eterno do demiurgo e de sua obra.

Todo este episódio de Caim e Abel, tal como está no Gênesis bíblico e em lendas como as do midrash judeu, entre outras, tem sido interpretadas pelos Gnósticos de uma maneira totalmente oposta a atualmente aceita.

Depois de cometer seu Ato Supremo, diz a bíblia que Caim foi amaldiçoado por deus e expulso desse lugar. “Amaldiçoado e expulso”, o mesmo destino da Serpente do paraíso. É lógico que assim aconteceria, porque Caim havia se convertido em um opositor absoluto do deus criador, mas ocorreram outras coisas muito interessantes que vamos destacar aqui.  

  Em primeiro lugar, vemos que Caim foi amaldiçoado e exilado pelo deus criador. Isso, que pudera parecer castigo, para um Gnóstico é o contrário. Ser amaldiçoado e exilado pelo criador é uma honra para um Gnóstico. É a reação lógica do demiurgo frente a quem o tem desafiado e esbofeteado, frente a quem se fez igual ou superior a ele. Caim foi exilado porque se transformou totalmente, se exilou com êxito por si mesmo e já não pertence a este mundo, ainda que continue habitando-o. A bíblia diz que o criador o exilou, porém Caim é um emancipado, um libertado em vida, que com seus atos maldisse o criador e se auto-exilou desta criação abominável.

Em segundo lugar, contam algumas lendas judias que o criador castigou para sempre Caim com a falta do sono, condenando-o a não poder dormir, à vigília permanente. Para um Gnóstico isso não é um castigo, mas sim um triunfo. Estar sempre desperto é uma vantagem, uma virtude, um ganho importante. Caim se auto-despertou, desobedecendo aos preceitos do criador e “assassinando” sua alma.

Em terceiro lugar, a bíblia diz que o criador protegeu Caim, não permitindo que nada lhe fizesse dano ou o matasse. Este é outro ponto muito interessante. Dizem os Gnósticos que o homem que se tem transformado em puro Espírito, ainda que siga habitando o corpo físico, é um imortal, um intocável. Nada nem ninguém podem causar-lhe dano, nada pode atacá-lo, já não tem medo, pois está acima de tudo e já não morre mais, ainda que não seja mais um ser vivente como os outros. Está neste mundo porém fora dele. Está fora da matéria e fora do tempo, já não faz parte da criação. É um exilado deste mundo por vontade própria. O deus criador não pode causar-lhe dano, porque Caim se tornou superior a ele.

Em quarto lugar, a bíblia diz que o criador pôs uma marca em Caim, um signo para que todos o reconhecessem e não lhe fizessem dano. Antigas lendas judias dizem que esse signo era um chifre na testa. Um chifre na testa significa poder, o poder proveniente do Espírito, o poder que o distingue dos demais homens. Essa “dureza” na testa significa que o Espírito foi liberado e tomou posse do corpo, solidificando-o, Espiritualizando-o. Ninguém pôs uma marca em Caim. Caim conseguiu por si mesmo. Quando isto ocorre, a humanidade e toda a criação sentem. Todo Espírito liberto de sua prisão da matéria terá essa marca por toda a eternidade. Nunca será o Espírito que era antes do encadeamento da matéria. Essa marca é o corpo transformado, duro como diamante, a quem o Espírito transformou em imortal e eterno. Este será sua eterna lembrança, a prova de seu passo pelo inferno e seu triunfo sobre ele.

Podemos encontrar distintas sínteses sobre a explicação Gnóstica do mito de Caim, no livro que temos citado do Monsenhor Meurin sobre a maçonaria. Também em Le Dieu Rouge, de Robert Ambelain e em Atheism in Christianity, de Ernst Bloch. Assim mesmo, no livro Los Mitos Hebreos, de Graves e Patai, existem dados interessantes. Também existe uma interpretação Gnóstica muito profunda sobre esse mito, em uma estranha novela que se tem divulgado na internet, intitulado “O Mistério de Belicena Villca”. 

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Ambientalismo “light”

por Raphael Machado

Um breve folhear de uma revista de atualidades ou de um jornal razoavelmente decente demonstra, sem sombra de dúvidas, que o Meio Ambiente é um tema bastante em voga e que desperta o interesse de uma ampla parcela da população. Teoricamente, de todas as classes sociais.

Isso sem dúvida é positivo. Quer dizer, eu suponho, que ninguém precisa se dar ao trabalho, hoje em dia de ainda ter que demonstrar que há tal coisa como uma “Questão Ambiental” que deve ser solucionada.

O fato de que muitas pessoas, aparentemente, se interessam por esse tema deve ser considerado como pelo menos “um passo” na direção da resolução da miríade de problemas derivadas dessa “Questão”.

Porém, o próprio fato de este ser um tema que “deve estar na boca de todos”, tem sido, na verdade, a garantia de que a “Questão Ambiental” não vai ser resolvida tão cedo, o que é seriamente preocupante, dado que mesmo as previsões menos negativas das consequências da não resolução desses problemas já são bem graves.

Explico o por que de modo breve: Se o discurso ambientalista deve alcançar o maior número de pessoas possível, ele deve ser o mais simples e superficial possível, porque, do contrário, ele não terá o alcance que se quer de início.

Assim, as noções ambientais que se difundem não passam de meros “lugares-comuns”. Uma espécie de “5 maneiras de salvar o meio ambiente”. E o fato de que é isso que alcança a maior amplitude, faz com que qualquer outra forma de discurso ambiental seja “jogada para escanteio”. A popularidade do discurso ambientalista superficial garante que só essa forma de discurso continuará a ser veiculada, reforçando e solidificando a superficialidade inicial.

E eu explico também a popularidade desse tipo de discurso: O discurso ambientalista superficial e politicamente correto demanda que você faça o mínimo possível de mudanças em seu modo de vida, e no funcionamento estrutural da sociedade como um todo, e, ao mesmo tempo, permite a você se sentir bem, feliz e tranquilo por ter feito a sua parte para “salvar o mundo”. Ou seja, “5 maneiras de salvar o meio ambiente sem sair do sofá”.

Essa é uma lei do comportamento das massas. Entre uma proposta que resolve definitivamente um certo problema com 100% de eficiência, mas que demanda mudanças radicais, e uma outra proposta de caráter paliativo ou, como seus defensores chamam, “moderada”, que não resolve nada, mas que faz com que todo mundo se sinta bem por estar “fazendo alguma coisa” sem que para isso qualquer estrutura tenha que ser mudada, as massas escolherão em 100% dos casos a proposta paliativa. A não ser que a tragédia seja do tipo apocalíptico, como Godzilla atacando uma cidade ou, então, quando o problema explode e as pessoas são atingidas pela onda de choque do problema, resolvendo, aí sim, que algo de definitivo deveria ser feito.

Obviamente, vendo um campo tão aberto e repleto de possibilidades, a maioria das corporações não poderia perder a oportunidade de lucro, não? Então, contribuindo para a ilusão geral, agora você pode fazer um “consumo consciente” e “politicamente correto”, onde pelo triplo do preço, você compra um produto que polui o meio ambiente tanto quanto ou mais que o produto original, só que de maneira diferente.

Como, por exemplo, quando você troca lâmpadas comuns por lâmpadas fluorescentes. Logo estaremos vendo a “bomba atômica biodegradável” e o “napalm orgânico” com os quais você pode bombardear seus inimigos à vontade e ao mesmo tempo estar “salvando o mundo” e sendo “politicamente correto.”

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A Verdadeira Revolução

(fonte: http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=79&vis=)

Por Victor Emanuel Vilela Barbuy
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira

(a Frente Integralista Brasileira não possui nenhuma ligação com este site ou com American Nihilist Underground Society, quem afirmar o contrário está sendo desonesto pois este aviso está aqui para esclarecer esse fato / este site não apóia todas as idéias de American Nihilist Underground Society / este site abomina a morte de inocentes e o terrorismo)

Plínio Salgado, mestre do pensamento tradicionalista, patriótico e nacionalista brasileiro e criador do grande Movimento de Ressurreição Nacional que é o Integralismo, escreve, no prefácio da primeira edição de sua obra Psicologia da Revolução, que o Homem tem o direito de intervir na marcha da História e quando uma Sociedade está se dissolvendo e um País está na iminência de se desagregar esta intervenção se impõe como um dever [1].

Ora, estando nossa Sociedade inegavelmente à beira da dissolução, consumida pelo materialismo, pelo hedonismo e, enfim, pelo espírito burguês, e estando nosso País, do mesmo modo, a pique de se desagregar, temos o dever inelutável de interferir na marcha da História, restaurando o Primado do Espírito e reconduzindo a Nação às bases morais de sua formação, como sempre defendeu o assinalado pensador e Homem de ação patrício.

A verdadeira Revolução é uma mudança de atitude em face da realidade e dos problemas, que implica na revolta contra a inautenticidade do Mundo Moderno e na recondução do Homem e da Sociedade, nos planos moral e ético, a seu ponto de partida, que está no Mundo da Tradição, o qual não é senão o Mundo regido por princípios que transcendem os sós elementos puramente humanos. Em uma palavra, a Revolução autêntica consiste na restauração do Homem Tradicional e na recondução da Sociedade à sua Tradição Integral.

Neste mesmo diapasão, pondera Hilaire Belloc, no primeiro capítulo de Danton, que a Revolução é “a reversão para o normal – um repentino e violento retorno às condições que constituem as bases necessárias para a saúde de qualquer comunidade política” [2].

Ainda em tal sentido, preleciona João Ameal, em No limiar da Idade-Nova, que “a verdadeira revolução – a única – só poderá ser aquela que (de acordo com o sentido rigoroso do termo), represente a volta ao ponto de partida, restitua o homem ao seu princípio” [3].

Poderíamos citar dezenas de outros notáveis Homens de Pensamento e de Ação d’aquém e d’além mar cuja opinião a respeito da verdadeira Revolução vai ao encontro da nossa. Citaremos, porém, tão somente mais dois: Corneliu Zelea Codreanu, líder máximo e principal doutrinador do Movimento Legionário da Romênia, e o filósofo russo Nikolai Berdiaeff. O primeiro aduz que “o homem novo e a nação renovada pressupõem uma grande revolução espiritual de todo o povo, isto é, uma mudança da orientação espiritual moderna, e uma ofensiva categórica contra essa orientação” [4]. Já o segundo, em sua obra Uma nova Idade Média, assim proclama:

“O mundo moderno atravessa uma gigantesca revolução, não uma revolução comunista que, no fundo, é o que há de mais reacionário, pois que representa o apodrecimento dos elementos decompostos do velho mundo, mas uma verdadeira revolução do espírito. O apelo a uma nova Idade Média, hoje, não é mais que o apelo a esta revolução do espírito, a uma renovação total da consciência” [5].

Isto posto, julgamos oportuno transcrever o trecho de nosso artigo a respeito de Julius Evola e o “Tradicionalismo Integral” em que tratamos a respeito do conceito de Revolução:

“Havendo qualificado como revolucionário o pensamento de Evola, julgamos necessário destacar que pelo termo Revolução compreendemos a revolta contra um estado de coisas que traz a ideia de retorno, correspondendo à tradicional concepção astronômica da palavra, segundo a qual esta significa o retorno de um astro ao ponto de partida e o seu moto ordenado em torno de um centro. Este é o sentido que o próprio Evola considera o mais apropriado para tal palavra [6] e é, também, o sentido que preferimos, seguindo o exemplo de João Ameal [7], ilustre pensador tradicionalista e historiador português, e de Plínio Salgado[8], máximo expoente do pensamento tradicionalista no Brasil ao lado de José Pedro Galvão de Sousa, na abalizada opinião de Francisco Elías de Tejada y Spínola [9], mais importante pensador tradicionalista espanhol do século XX”[10].

Tendo consciência de tudo o quanto afirmamos, ressaltamos nossa discordância em face de todos os tradicionalistas que condenam in limine a palavra “Revolução”, muitas vezes chegando a demonizá-la.

Como preleciona Plínio Salgado em magistral artigo publicado em 1935 no jornal A Ofensiva, a “Revolução não é a masorca de soldados amotinados; não é rebelião de camponeses ou proletários; não é movimento armado de burguesias oligárquicas; não é movimento de tropas de governos provinciais; não é golpe de militares; não é a conspirata dos partidos, não é guerra civil generalizada. Revolução é movimento de cultura e de espírito. Transforma-se uma cultura, assume-se nova atitude espiritual, como consequência, abala-se até aos alicerces os velhos costumes, destruindo tudo, para construir de novo, porque destruir apenas não é Revolução”[11].

Para Plínio Salgado, a Revolução deve ter “as energias sagradas do próprio Espírito da Pátria em rebeldia, em agressividade contra uma civilização que criou a luta de classes, que desorganizou as bases morais das nacionalidades e que nos amarrou, durante cem anos [hoje quase duzentos], como escravos miseráveis, aos pés da mesa onde o capitalismo internacional se banqueteia, surdo ao gemido dos povos”[12].

A verdadeira Revolução não é aquele processo de dessacralização e de destradicionalização da Sociedade iniciado com o denominado Renascimento e a chamada Reforma e reforçado pelas revoluções burguesas de Inglaterra e França e pela revolução “proletária” de 1917, na Rússia, bem como pelos movimentos surgidos após o maio de 1968 em Paris. A verdadeira e necessária Revolução é, sim, a transmutação integral de valores no sentido de destruição dos princípios inautênticos do Mundo Moderno e de restauração dos princípios perenes e autênticos da Tradição.

A Revolução sem Tradição não passaria de veleidade estéril, não figurando entre os princípios de nossa Doutrina. Temos firme consciência de que, como sentencia Renan em momento de rara felicidade, “o erro mais deplorável é o de crer que se serve a pátria caluniando aqueles que a fundaram. Todos os séculos de uma nação são as folhas de um mesmo livro. Os verdadeiros homens de progresso são aqueles que têm por ponto de partida um respeito profundo pelo passado”[13]. No mesmo sentido, Arlindo Veiga dos Santos, criador e principal doutrinador do movimento patriótico, nacionalista e tradicionalista brasileiro conhecido como Patrianovismo e defensor da “verdadeira Revolução, REVOLUÇÃO DA ORDEM, contra os aspectos vários da república ‘moderna’” [14], “o Presente que nega o Passado não terá futuro” [15].

O objetivo máximo da Revolução é o de resgatar a grandeza do Homem e de conscientizá-lo de que Deus é seu princípio e fim último e de que o verdadeiro sentido da vida humana repousa na busca da santidade. Concordamos, pois, com Plínio Salgado, quando, nas imorredouras páginas de Primeiro, Cristo!, proclama a necessidade imperiosa de “salvação do Mundo pela santificação das almas”, afirmando que “não é digno de lutar pelo Cristo quem não erguer a bandeira da própria santificação” [16] .

O homem moderno transformou-se em um desenraizado, não tendo a mínima consciência de onde vem e para onde vai; transformou-se em uma peça de máquina para a qual Deus, a Pátria e a Família estão mortos ou são persistentes resíduos de uma época de ignorância e atraso; transformou-se em um ser inautêntico, crente em superstições tão absurdas quanto a do progresso ilimitado e da liberdade total e incapaz de ouvir a voz da Terra e dos Ancestrais. É este homem que precisa ser resgatado, retransformado em Homem temente a Deus e enraizado em uma Família, uma Pátria, uma Nação, uma Tradição. Em uma palavra, o homem moderno é, como afirma Chesterton, “um viajante que se perdeu na estrada” e que “tem de regressar ao ponto de partida, se quiser se lembrar de onde veio e para onde vai”[17].

Martin Heidegger observa, em entrevista à revista Der Spiegel, que “tudo o que é essencial e grande surgiu do fato de que o homem tinha uma pátria e estava radicado em uma tradição” [18]. E, no texto intitulado O caminho do campo, ondeevoca, saudoso, passagens da infância e mocidade em Messkirch, Suábia, o filósofo ressalta que o caminho do campo fala somente enquanto os Homens nascidos no ar que os rodeiam forem capazes de escutá-lo. É em vão que o Homem, por meio de planejamentos, busca instaurar uma ordenação no Mundo, se for incapaz de ouvir o chamado do caminho do campo. É perigoso que o homem de nossos tempos já não possa compreender a linguagem de tal caminho, posto que em seus ouvidos retumba o fragor das máquinas, que chega a tomar pela Divina Voz. Assim, o Homem se dispersa, se torna errante. O Simples passa a parecer uniforme e a uniformidade é entediante. O Simples se desvaneceu e sua silenciosa força se esgotou[19].

O número daqueles que ainda conhecem o Simples, o dom da Simplicidade, diminui velozmente. Mas os poucos que ainda o conhecem serão, como sustenta o autor de O ser e o tempo, “em toda a parte, os que permanecem. Graças ao tranquilo poder do caminho do campo, poderão sobreviver um dia às forças gigantescas da energia atômica, que o século e a sutileza do homem engendraram para com ela entravar sua própria obra” [20].

Como afirmamos, o objetivo principal da Revolução é o de devolver ao Homem a sua grandeza. Isto equivale a criar o Homem Novo, o Homem Integral, que, a nosso ver, nada mais seria do que o Homem Tradicional.

Isto posto, cumpre sublinhar que qualquer Ordem Nova será efêmera se não estiver radicada em um Novo Homem. Como diria Plínio Salgado, “de nada valem regimes, reformas constitucionais, medidas legais, planejamentos econômicos, financeiros, administrativos, se não pusermos, na base de tudo, as energias puras da Pátria, representadas pelo Homem Novo” [21]. Em uma palavra, para combater o mal da Sociedade, necessitamos primeiro combater o mal que há em nós mesmos [22], ou seja, antes de livrar o Mundo da civilização burguesa é mister que nos livremos do burguês que há em cada um de nós, tendo consciência de que o Homem que vence a si mesmo é imensamente mais heróico do que o guerreiro que vence a cem inimigos.

A Revolução Interior, que precede a Revolução das instituições, é uma Revolução antes de tudo moral, que consiste no triunfo do Espírito sobre a tirania da Matéria, razão pela qual também a denominamos Revolução do Espírito.

Como afirmamos há pouco, a Revolução visará, antes de mais nada, a restauração do Homem e se, como aduz João Ameal, o Homem se encontra desfigurado e destruído pelos diversos mitos dos últimos séculos, cumpre, antes de tudo, empreender a reconstrução do Homem [23], título, aliás, de uma das mais fecundas obras de Plínio Salgado [24].

Somente quando o Homem estiver plenamente restaurado é que será possível restaurar, em sua plenitude, a Filosofia Perene da Metafísica, a Doutrina do Direito Natural Tradicional, ou Clássico, a Economia Cristã e a Sociedade Orgânica, regida por um Estado consciente de que se constitui em um mero instrumento a serviço da Pessoa Humana e do Bem Comum, não podendo violentar aquela ou os Grupos Naturais componentes da Sociedade Integral. Tudo isto com a firme consciência de que o Estado, a Sociedade, o Trabalho e a Economia devem estar a serviço do Homem e não o contrário, como tem lamentavelmente ocorrido nestes tenebrosos tempos do Império de Calibã.

Encerramos estas tão singelas páginas com uma frase do genial compositor e pensador alemão Richard Wagner, mestre do Romantismo Alemão, que devemos fazer também nossa:

“A minha verdadeira missão é semear a revolução por onde quer que eu passe” [25].

 
NOTAS: 

[1] SALGADO, Plínio. Psicologia da Revolução. 6ª ed. In Idem. Obras Completas. 2ª ed., vol.7. São Paulo: Editora das Américas, 1957, p.9.
[2] BELLOC, Hilaire. Danton, a study. Cap. I. Disponível em: http://www.bostonleadershipbuilders.com/belloc/danton/chapter01.htm. Acesso em 22 de outubro de 2009.
[3] AMEAL, João. No limiar da Idade-Nova. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1934, p. 12.
[4] EVOLA, Julius. Introduzione. In GUÉNON, René. La crisi del Mondo Moderno. Trad. italiana e intr. de Julius Evola. Roma: Edizioni Mediteranee, 2003, p. 7.
[5] CODREANU, Corneliu Zelea. Manual del Jefe de la Guardia de Hierro.Trad. para o espanhol de Manuel de la Isla Paulin. 2ªed. Barcelona: Ediciones Ojeda, 2004, p. 93.
[5] BERDIAEFF, Nicolau. Uma nova Idade Média: reflexões sobre o destino da Rússia e da Europa. Trad. de Tasso da Silveira. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1936, p.103.
[6] EVOLA, Julius. Introduzione. In GUÉNON, René. La crisi del Mondo Moderno. Trad. italiana e intr. de Julius Evola. Roma: Edizioni Mediteranee, 2003, p.
[7] AMEAL, João. No limiar da Idade-Nova. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1934, pp. 12-14.
[8] Vide SALGADO, Plínio. Psicologia da Revolução. 6ª ed. In SALGADO, Plínio. Obras Completas. 2ª ed., vol. VII. São Paulo: Editora das Américas, 1957.
[9] TEJADA, Francisco Elías de. Plínio Salgado na Tradição do Brasil. In Diversos. Plínio Salgado – “In Memoriam”, vol. II. São Paulo: Voz do Oeste/Casa de Plínio Salgado, 1985/1986, p. 70.
[10] BARBUY, Victor Emanuel Vilela. Julius Evola e o “Tradicionalismo Integral”. Disponível em: http://cristianismopatriotismoenacionalismo.blogspot.com/2009/10/julius-evola-e-o-tradicionalismo.html. Acesso em 23 de outubro de 2009.
[11] SALGADO, Plínio. Revolução Integralista. In SALGADO, Plínio. O pensamento revolucionário de Plínio Salgado (antologia organizada por Augusta Garcia Rocha Dorea). 2ª ed. ampl.
São Paulo: Voz do Oeste, 1988, p. 255.

[12] Idem, p. 256.
[13] RENAN, Ernest. Souvenirs d’enfance et de jeunesse. Paris: Calmann-Lévy, Éditeurs, s/d, p. XXII.
[14] SANTOS, Arlindo Veiga dos. As raízes históricas do Patrianovismo. São Paulo: Pátria Nova, 1946, p. 18.
[15] Idem. Ideias que marcham no silêncio. São Paulo: Pátria-Nova, 1962, p. 76.
[16] SALGADO, Plínio. Primeiro, Cristo! 4ª ed. In SALGADO, Plínio. Obras completas. 2ª ed., vol VI. São Paulo: Editora das Américas, 1956, pp. 211-212.
[17] CHESTERTON, G. K. The New Jerusalem. Londres: Hodder & Stoughton, 1920, p. I.
[18] HEIDEGGER, Martin. Ormai solo un dio ci si può salvare: Intervista con lo “Spiegel”. Trad. italiana de A. Marini. Parma: Guanda, 1987, p. 135.
[19] Idem. O caminho do Campo. Trad. de Ernildo Stein e José Geraldo Nogueira Moutinho. In Cavalo Azul, n. 4, São Paulo, s/d, p. 5. Também disponível em http://caminhodocampo.blogspot.com/2008/03/o-caminho-do-campo-martin-heidegger.html. Último acesso em 23/10/2009.
[20] Idem, loc. cit.

[21] SALGADO, Plínio. Reconstrução do Homem. 2ª ed. Rio de Janeiro: Livraria Clássica Brasileira, s/d, p.184.
[22] Idem. Primeiro, Cristo! Op. cit., p. 212.
[23] AMEAL, João. Europa e seus fantasmas. Porto: Livraria Tavares Martins, 1945, p. 319.
[24] SALGADO, Plínio. Reconstrução do Homem. Op. cit.
[25] WAGNER, Richard, apud FONSECA, Carlos da. Introdução. In WAGNER, Richard. A arte e a revolução. Trad. portuguesa de José M. Justo. 2ª ed. Lisboa: Edições Antígona, 2000, p. 7.

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Yoga Mental

do livro “Trabajos Parapsicologicos Infalibles”, Jose Maria Herrou Aragon

1. O domínio mental

a. O terceiro fluxo

                Cada ser humano possui três fluxos, três substâncias que fluem sem cessar. Da mais densa à mais sutil, elas são o sêmen, o prana e o pensamento. No antigo idioma sânscrito da Índia, se os denomina respectivamente bindu, prana e chitta. Por essa razão dividimos neste livro os yogas em três: sexual, respiratório e mental. O dividimos em três partes para sua melhor compreensão, mas o yoga é só um.

                Para controlar os três fluxos devemos começar pelo mais denso, para logo ir dominando os restantes. Não se pode controlar a respiração se não controlou o sexo antes. Da mesma forma, não é possível controlar o mais sutil e instável dos fluxos – a mente – se não obteu um perfeito domínio dos dois anteriores.

                Estes três fluxos nos mantêm amarrados ao plano físico, à alma e à maya. É fundamental liberarmos o máximo possível de sua tirania. Para isso estão os três yogas. Os fluxos devem ser aquietados primeiro e imobilizados depois. A concentração do sêmen e do prana facilita a concentração mental. Assim como há uma abstinência sexual e respiratória, deve haver também uma abstinência de pensamentos. Não se podem saltar as etapas, o processo começa no sexo, segue com a respiração e conclui no pensamento. A abstinência sexual deverá dar-se nos três planos inferiores: físico, emocional e mental. A abstinência sexual física será a ausência do orgasmo, a abstinência sexual emocional será a ausência de desejos sexuais, a abstinência sexual mental será a ausência de pensamentos sexuais, e assim no todo.

                Aquietar e deter o sexo, a respiração e o pensamento, esse é o objetivo imediato do yoga. Este objetivo pode cumprir-se em solidão ou com companhia, durante o maithuna ou fora do maithuna. A suspensão dos três fluxos permite grandes conquistas espirituais.

b. Controle de pensamentos

                A substância da mente ou chitta, está em permanente efervescência e agitação, em permanente movimento. A compararam com um macaco que salta de um lado a outro, de uma imagem a outra. O pensamento é o fluxo mais difícil de dominar.

                O terreno mental é onde se trava a última grande batalha. Um dos objetivos finais do yoga é a conquista da mente. O pensamento tem grande poder, e quem conquista seus pensamentos pode conquistar o mundo.

                A forma de conseguir aquietar a agitação e a modificação constante dos pensamentos é a prática dos yogas sexual e respiratório. A concentração sexual e respiratória produz concentração mental. O controle do sexo e do alento inside no controle dos pensamentos. Sem o domínio dos dois yogas anteriores nada poderia fazer-se.

                A tudo isto podemos agregar a auto-influência psíquica. É interessante experimentar com ordens como estas: “quero que minha mente fique vazia de pensamentos”, “quero que se vão todos os pensamentos de minha mente inferior”, “quero que desapareça a mente inferior que se coloca entre meu espírito e eu”, “quero que seja meu espírito que pense”, etc. Com a auto-influência psíquica podemos não só anular traumas infantis ou anular toda nossa história pessoal, com ela é possível até deixar a mente sem seus pensamentos.

                É fundamental aquietar a mente, suas oscilações e seu errante vagar. Isso contribuirá para reconquistar a liberdade.

c. O vazio mental

                O pensamento lógico é uma armadilha, um obstáculo para a realização mística. Disse o Advaita Vedanta: “o pensamento é uma enfermidade da consciência”. O pensamento gera este universo. Todo este mundo é nada mais do que um jogo da mente. O universo não existe como tal, é só a projeção da mente humana. O universo não existe fora da mente e a mesma mente é uma ilusão. No mundo criado o único real é o espírito verdadeiro e eterno.

                As modificações da mente produzem ainda a sensação do decorrer do tempo. O tempo é uma ilusão. Só existe o Eterno Agora. O tempo é um invento da mente, ao vencer aos pensamentos se vence o tempo.

                Não é suficiente aquietar os pensamentos, todo o processo mesmo do pensamento deve ser abolido e desarmado. Toda a cadeia de pensamentos deve ser desarticulada. Toda a vida do homem é uma rede de maya. Ao romper-se o processo de pensamentos se rompe maya. Liberar-se de maya, das modificações da substância pensante e das identificações com os fenômenos é um dos objetivos do yoga. Os pensamentos devem ser aquietados primeiro e desintegrados depois.

                Para produzir o vazio mental é preciso deter o monólogo interior. Permanentemente estamos falando mentalmente com nós mesmos: “tenho que fazer isto”, “que lindo é aquilo”, “amanhã irei ao campo”, etc. Esse é o monólogo interior, repetir verbal e internamente toda classe de estupidez todo o tempo. Esse é o grande inimigo do homem. As palavras, ainda que sejam pronunciadas mentalmente, são as que sustentam todo o processo do pensamento, o véu de maya que nos impede de contemplar a realidade verdadeira. As palavras internas sustentam o pensamento. Anulando-as, se anula este. Isto é importante, ao cessar o monólogo interno cessa o pensamento, e se cessa o pensamento cessan os falsos eus da alma.

                Para suspender o monólogo interior é preciso sentar-se comodamente, com os olhos fechados. Devemos nos esforçar para não pronunciar nenhuma palavra nem frase mentalmente. Devemos nos concentrar apenas em nossa respiração lenta, no kumbhaka respiratório e na elevação das emanações sexuais, mas não devemos pronunciar nenhuma palavra nem frase mentalmente. Se conseguimos, perceberemos primeiro um ponto negro que vai aumentando de tamanho até cobrir quase completamente todo o panorama frente a nós. Sempre mantendo os olhos fechados e com ausência total de monólogo interior, chegará um momento em que essa mancha negra em nossa frente cobrirá toda nossa visão interna, produzindo-se o vazio total da mente, seu colapso completo. Neste momento a pessoa fica totalmente adormecida, em transe, sem mente, sem pensamentos. Se está deitada se produz imediatamente o sono e a viagem astral. Enquanto pratica a evitação do monólogo interior, o yogi pode visualizar imagens se o deseja, só as palavras internas estão proibidas. No momento que a mancha negra aumenta de tamanho, as visualizações do yogi desaparecem. Logo sobrevém o vazio mental total.

                É conveniente praticar diariamente o vazio mental, a abolição do monólogo interior. Insistir e persistir diariamente. Ao deter o monólogo interno desaparecem os pensamentos e surge o vazio total. Ao esvaziar a mente, esta fica clara e pode perceber sem obstáculos. Ao suspender o monólogo interior se obtêm resultados de imediato, se abrem portas e tudo se faz possível.

                É nesse vazio onde se travará a batalha final pelo destino do homem. Ao produzir-se o vazio as duas forças opostas, a alma e o espírito, ou Deus e o anti-Deus, se enfrentarão entre si, lutando cada um por ocupar esse lugar.

2. O Espírito Eterno

a. Os adversários

                Poucos homens sabem que no mais profundo de seu ser se encontra prisioneiro e oculto um espírito eterno. Ninguém tampouco fala sobre este tema. Esse espírito prisioneiro deseja liberar-se e atuar sobre o mundo, mas está impedido de fazê-lo. Por isso é necessário redescobrir os verdadeiros yogas que permitam tornar o homem consciente da triste situação em que se encontra, dotando-o das armas necessárias para encontrar a prisão secreta onde encontra seu espírito e liberá-lo.

                O yoga sexual que descrevemos aqui é a base de tudo isso, os outros dois yogas apenas o complementam. Este yoga sexual fortalece o homem convertendo-o em um guerreiro. Também prepara o terreno, o vazio, o campo de batalha onde a luta final será travada. Este vazio é um vazio de desejos e pensamentos inferiores apenas, pois detrás dele se encontram a “alma divina temerosa de Deus” e o espírito eterno, vingativo e colérico. Eles são os adversários, os inimigos. A alma é mortal, mas tem a Deus a seu lado. O espírito é eterno e está só. Só um deles poderá reinar depois desta luta final.

b. A luta

                Dissemos que o espírito eterno se encontra tão afastado e isolado que o homem comum nem sequer suspeita de sua existência. Dissemos também que a única forma de liberá-lo é através das técnicas de yogas verdadeiros, a serviço do espírito. Eles possibilitarão a liberação do espírito das redes que o aprisionam, e sua posterior manifestação sobre o mundo. Estamos falando da luta pela liberação do espírito. Uma vez liberado, o espírito encarará uma luta mais, da qual falaremos: a batalha final e definitiva.

                Se se utilizam técnicas de auto-influência, poderão repetir-se diariamente antes do sono ordens como esta: “quero que seja liberado meu espírito verdadeiro e eterno”, “quero que meu espírito eterno se manifeste em mim e no mundo”, e coisas do tipo. Também podemos recorrer à auto-influência psíquica para pedir a nosso espírito eterno que nos solucione qualquer problema ou inconveniente que tenhamos em nossa vida diária. E ele o fará.

                Persistindo, se obterá a liberação completa e definitiva. Ao princípio será por breves momentos que poderemos visionar sua existência e poder. Logo esses períodos serão cada vez maiores, até o triunfo definitivo. Quem percebeu a presença e o poder de seu espírito, jamas o esquecerá. Desejará dedicar os maiores esforços e sua vida inteira, à tarefa de contatar-se com ele e liberá-lo.

c. A liberação            

                Quando o espírito consegue liberar-se e tomar conta do corpo e da alma do homem, se produz a maior transformação que um homem pode alcançar em sua vida. Se trata de uma verdadeira revolução, a transmutação autêntica. O homem se transformou em espírito. O espírito transformou o homem. Esse novo homem se manifestará como espírito eterno sobre o mundo. O espírito eterno se liberou e transmutou a matéria humana para atuar sobre a criação inteira. O mundo criado e os demais homens não poderão permanecer alheios ao poder de um espírito liberado. Crerão encontrarem-se diante de um deus, mas ele é mais que um deus. Ao vê-lo atuar também haverão de vislumbrar tenuemente os verdadeiros propósitos do espírito, seus planos e sua autêntica essência.

                Seu resplendor e penetrante sabedoria fluirão sobre o mundo sem cessar e sem obstáculos. Ali se saberá o que é o amor verdadeiro próprio do espírito, um amor que o homem adormecido atual não pode nem sequer imaginar. O homem adormecido vê amor onde só há ódio, enquanto que o amor verdadeiro o perceberia como ódio em estado puro. Tal é a confusão e a loucura em que está imerso o homem comum. Quem puder contemplar o poder de um espírito liberado sobre o mundo, não o esquecerá jamás. Seria como um terremoto a nível planetário, um raio gigantesco e violento abatendo-se sobre a criação efêmera. Só ele terá o poder capaz de desintegrar a toda a criação, falsa e impura.

3. A força kundalini

a. Que é

                Kundalini é a força mais poderosa do universo que habita adormecida no interior de cada homem. É sutil e invisível ao olho normal e a representam como uma serpente enrolada e adormecida, situada na base da coluna vertebral. A maioria dos homens passa sua vida sem perceber a kundalini.

                Kundalini é o guardião e impulsor da evolução humana. Kundalini modela e remodela ao homem de acordo com um desenho que este tem impresso e constitui a última etapa da evolução humana, do impulso evolucionário no homem. Se disse que kundalini é o arquiteto de todas as formas de vida no universo criado. Kundalini é Deus no homem.

                Muito foi escrito sobre kundalini, mas quase a totalidade desses escritos estão cheios de confusão e engano. Se pretende evitar o despertar do homem, ou pelo menos conseguir que se desperte seja tarde demais para salvar-se. Muito poucos sabem quem é realmente kundalini e qual é sua missão. Um estranho livro aparecido na internet, entitulado “El microcosmos como organismo”, é até agora o único realmente valioso e esclarecedor que pode encontrar-se sobre o tema.

b. Sua missão

                Dissemos que kundalini existe no homem para controlar sua evolução. A evolução de seu organismo físico e a evolução de sua alma, a qual a través de múltiplos “aperfeiçoamentos” deverá aproximar-se de Deus até fundir-se com ele. Tudo isto está padronizado no corpo e na alma do homem, sendo quase impossível poder apartar-se deste condicionamento.

                Vimos que há dois caminhos opostos no destino de cada homem, e que em algum momento de seu extenso peregrinar deverá optar por um deles: o caminho da alma ou o caminho do espírito, o caminho da fusão ou o caminho da transmutação.

                Se opta pelo caminho da alma, uma vez devidamente “aperfeiçoada” esta, intervirá a força kundalini. Quando a alma se encontre perfeitamente “purificada” e próxima a Deus, kundalini despertará na base da coluna vertebral e subirá até o crânio e fora dele. Nesse momento esse homem haverá se tornado um com Deus através de sua alma. Seu eu haverá se desintegrado e Deus haverá tomado conta dele através de kundalini. Esse homem haverá  renunciado a seu espírito para sempre, e haverá obtido a “consciência cósmica”, a fusão completa com Deus.

                Ao contrário, se um homem tentou separar-se deste destino padronizado de fusão com Deus, diante da menor intenção de liberação intervirá igualmente kundalini, para processá-lo novamente no “caminho correto”. Se o rebelde persistir em abandonar o rebanho e for impossível sua “recuperação”, o representante de Deus no homem terá a obrigação de destrui-lo e desintegrá-lo.

c. A batalha final

No caminho do espírito, dissemos que o guerreiro lutará sempre por despertar e aumentar seu eu, aproximando-se cada vez mais de seu espírito. Até ter o poder suficiente, o guerreiro evitará a força kundalini que lutará para submetê-lo ou destrui-lo, que é a mesma coisa. Mas uma vez acionada a luta, quando tudo ao seu redor treme e desaparece, o guerreiro só contará com seu eu poderoso para se juntar a ele e evitar a desintegração, se fosse “fagocitado” por kundalini.

                Só há dois entes que não podem ser destruídos pela força de Deus no homem, também chamada “Deus-Kundalini”: a alma “purificada” e o espírito liberado de suas correntes.

                A alma devidamente “aperfeiçoada” é invadida por kundalini, fundindo-se em Deus. O espírito em estado puro será absolutamente temido e evitado por kundalini, quem temerá ser destruída por ele e despojada de seus poderes.

                A imensa maioria dos seres humanos comuns, que guardam em si mesmos características tanto da alma quanto do espírito, não teriam nenhuma possibilidade de sobreviver se despertasse kundalini dentro deles. Isto poderia ocorrer por acidente, ou por irresponsável experimentação com drogas ou exercícios.

                Quando um espírito alcança um nível importante de liberação, kundalini tratará de evitá-lo e não encontrar-se com ele. É então quando o espírito, buscando apoderar-se da força kundalini para seus próprios fins, pode desafiá-la e obrigá-la a combater. Se fracassa, será devolvido à prisão por outro imenso período de tempo. Se triunfa, haverá se separado absolutamente do mundo criado e de suas leis por toda a eternidade, e haverá adquirido um poder similar ou superior ao do Deus Criador.

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O Sentido da Vida

Qual é o sentido da vida humana, ou da vida orgânica em geral? Apenas responder esta pergunta implica uma religião. Há algum sentido, então, em colocá-la? Eu respondo, um homem que considera sua própria vida e aquela de suas colegas criaturas como sem sentido não é apenas infeliz mas quase desqualificado para a vida.

-Albert Einstein

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